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Manifesto de Lançamento da Campanha Nacional: “1 Real por Cuba”

Manifesto de Lançamento da Campanha Nacional: “1 Real por Cuba”

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“A solidariedade não é dar o que sobra, é compartilhar o que se tem.”

Fidel Castro Ruz

Vivemos um momento histórico de profunda agudização das contradições do sistema capitalista. À medida que o império estadunidense entra em sua fase de decomposição relativa e perde a hegemonia inquestionável do mercado global, suas garras tornam-se ainda mais agressivas, violentas e desesperadas. E é no coração do Caribe que essa sanha destrutiva encontra o seu alvo mais obstinado: a Ilha da Dignidade, a República Socialista de Cuba.

Como ensinou Lênin em sua obra monumental Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, a etapa monopolista do capital não opera apenas através da força militar direta, mas fundamentalmente pelo estrangulamento financeiro, pelo domínio dos fluxos de capitais e pela subjugação das economias periféricas aos interesses dos grandes conglomerados transnacionais. O Bloqueio Econômico, Comercial e Financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba há mais de seis décadas é a aplicação cabal dessa doutrina imperialista. Não se trata de um mero “embargo”, como a imprensa monopolista tenta suavizar de forma hipócrita. Trata-se de um cerco de guerra híbrida, um ato de agressão unilateral que viola flagrantemente o Direito Internacional e a Carta das Nações Unidas.

A análise da estrutura do sistema internacional sob a perspectiva da Economia Política Crítica de Robert Cox deixa claro que a agressão contra Cuba não é um evento isolado, mas a manutenção deliberada de uma ordem hegemônica. Cox nos ensina que a verdadeira hegemonia imperial não se sustenta apenas pela força militar, mas pela articulação orgânica entre capacidades materiais, ideias/ideologia e instituições/leis — aquilo que ele denominou bloco histórico. O bloqueio a Cuba é o mecanismo pelo qual a hegemonia estadunidense tenta punir e inviabilizar qualquer contra-hegemonia que ouse demonstrar que as forças produtivas e as relações sociais podem ser organizadas fora da lógica do capital. Ao impor sanções e rotular a ilha como “ameaça”, a potência hegemônica busca cristalizar a ideia de que “não há alternativa” ao capitalismo.

Ao resgatar a rigorosa análise de Vendulka Kubálková sobre a teoria das Relações Internacionais no Marxismo-Leninismo, compreendemos que a dinâmica do sistema mundial deve ser lida a partir da categoria fundamental de “Correlação de Forças” (соотношение сил). Diferentemente da visão burguesa reducionista de “equilíbrio de poder” — que enxerga apenas o poderio militar e o PIB dos Estados —, a correlação de forças marxista-leninista abrange a totalidade social: os fatores econômicos, o grau de mobilização política das massas, a coesão ideológica e a solidariedade internacional dos trabalhadores. O bloqueio contra Cuba representa a tentativa desesperada do imperialismo de alterar essa correlação por meio do estrangulamento material. No entanto, como Kubálková evidencia ao mapear o pensamento socialista de Relações Internacionais, o fator decisivo, em última instância, reside na capacidade de resistência e na consciência das massas populares organizadas.

Para apreender a verdadeira dimensão da agressão imperialista contra Cuba, é preciso superar as leituras liberais e realistas da política internacional. A teoria convencional trata o bloqueio como uma “disputa bilateral” ou um mero “instrumento diplomático”. No entanto, a articulação entre a Economia Política Crítica de Robert Cox e a análise marxista-leninista de Relações Internacionais, sistematizada por Vendulka Kubálková, revela a estrutura real desse conflito: trata-se da reação desesperada de uma ordem global em crise contra um polo de alternativa sistêmica.

No caso de Cuba, o imperialismo norte-americano mobiliza essa tríade de forma integral:

  • Capacidades materiais: o uso do dólar, a centralidade no sistema financeiro internacional (SWIFT) e a perseguição a navios petroleiros como armas de estrangulamento biopolítico (privando o país de energia, medicamentos e insumos básicos).
  • Ideias: a difusão permanente da tese da “inviabilidade do socialismo”, transformando a escassez material induzida em suposta “incapacidade de gestão” do Estado socialista.
  • Instituições: a imposição extraterritorial de leis domésticas (como a Lei Helms-Burton) e a inclusão arbitrária de Cuba na lista de “Estados Patrocinadores do Terrorismo”, forçando o isolamento institucional, político e econômico da ilha.

O bloqueio, portanto, é a tentativa do bloco histórico hegemônico de congelar a história, punindo exemplarmente qualquer experiência que ouse organizar as forças produtivas fora da lógica da acumulação de capital.

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Os objetivos explícitos desse cerco foram traçados ainda em 1960 pelo subsecretário de Estado norte-americano Lester Mallory, num memorando desclassificado que expõe a crueldade do império: provocar a fome, a desesperança e o sofrimento da população civil para forçar a derrubada do governo revolucionário.

Nas últimas décadas, com especial brutalidade sob as administrações de Donald Trump (mas mantida pela gestão de Joe Biden), o império aplicou mais de 240 novas medidas coercitivas unilaterais contra a ilha. Dentre as investidas mais recentes e perversas, destacam-se:

  • A inclusão na infame lista de “Estados Patrocinadores do Terrorismo”: uma mentira cínica fabricada pelo Departamento de Estado dos EUA. Essa classificação arbitrária impede que Cuba utilize o sistema bancário internacional para realizar transações financeiras básicas, como a compra de alimentos, insumos hospitalares e peças de reposição para a infraestrutura energética.
  • O estrangulamento energético e logístico: o imperialismo persegue sistematicamente as empresas de navegação e seguradoras que transportam combustível para a ilha, provocando apagões intencionais e paralisando a produção agrícola e industrial.
  • A perseguição às brigadas médicas: a cooperação internacionalista cubana, que salvou centenas de milhares de vidas em todo o mundo através do Contingente Henry Reeve, é alvo de campanhas de difamação e sanções financeiras diretas por parte de Washington.
  • A guerra psicológica e cognitiva: investimento de dezenas de milhões de dólares anuais na promoção de células contrarrevolucionárias, financiamento de robôs em redes sociais e difusão de fake news para tentar corroer a unidade interna do povo cubano e fabricar cenários de instabilidade social.

Esta é a verdadeira face da agressão: privar um povo de petróleo, medicamentos básicos, trigo e tecnologia, esperando que ele se dobre pela dor. Mas o imperialismo erra ao subestimar a têmpera tecida na Luta de Libertação Nacional e no Marxismo-Leninismo.

Qual foi a resposta cubana?

Se a equação do imperialismo fosse perfeita, a Revolução Cubana teria caído há muito tempo. No entanto, contra todas as probabilidades e as previsões dos analistas da burguesia internacional, Cuba socialista segue de pé, firme e altiva.

Diante da escassez material induzida pelo bloqueio, o povo cubano desenvolveu aquilo que o presidente Miguel Díaz-Canel e a direção do Partido Comunista de Cuba (PCC) chamam de Resistência Criativa. A resistência não é passiva; ela é a capacidade de responder às agressões com inovação, solidariedade interna e aprofundamento do Poder Popular.

“Nossa resposta ao bloqueio não é o desespero nem a capitulação, mas a capacidade de inventar soluções com nossos próprios recursos, com a ciência soberana e com o trabalho coletivo.

Em meio à pandemia da COVID-19, sob o bloqueio reforçado e impedida de comprar vacinas das multinacionais farmacêuticas ocidentais, a Cuba socialista deu uma lição ao mundo. Graças ao planejamento centralizado, à visão estratégica de Fidel Castro e à ciência pública desenvolvida pelo socialismo, os cientistas cubanos criaram suas próprias vacinas: Soberana 02, Abdala e Soberana Plus.

Cuba foi o primeiro país do mundo a imunizar quase toda a sua população infantil a partir dos dois anos de idade com vacinas próprias. Onde o capitalismo gerou o apartheid das vacinas e o lucro sobre a morte, o socialismo cubano entregou saúde universal e compartilhou suas doses com povos do Sul Global.

A imprensa burguesa tenta vender ao mundo a falsa narrativa de que a juventude cubana abandonou os ideais da Revolução, que está despolitizada ou cooptada pelo consumo ocidental. Trata-se de mais uma operação de propaganda contrarrevolucionária.

Nas fábricas, nos campos de cultivo, nas universidades, nos centros de pesquisa biotecnológica e nos bairros populares, a juventude cubana está organizada, ativa e na linha de frente do combate. A União de Jovens Comunistas (UJC) e a Federação de Estudantes Universitários (FEU) não são meras instâncias burocráticas, mas verdadeiros motores de transformação social, com atividade e mobilização nacionais.

Nas Brigadas de Trabalho Voluntário. Quando a crise energética e de combustíveis afeta a produção agrícola, milhares de estudantes e jovens trabalhadores vão para os campos de cultivo para garantir a produção de alimentos para os hospitais e escolas.

Na linha de frente dos desastres. Diante dos furacões e acidentes industriais, é a juventude fardada e civil que lidera os resgates, a reconstrução das casas e o apoio emocional às comunidades atingidas.

No debate político. A juventude liderou as discussões do novo Código das Famílias — uma das legislações sociais mais avançadas e emancipatórias do planeta —, demonstrando maturidade e compromisso com um socialismo verdadeiramente inclusivo e humano.

A mensagem das ruas de Havana, Santiago de Cuba, Santa Clara e Cienfuegos é cristalina: a juventude cubana não entregará a sua pátria aos abutres de Wall Street. Todo mundo está firme, consciente das dificuldades, mas decidido a defender a soberania conquistada com o sangue dos heróis da Serra Maestra.

O marxismo-leninismo nos ensina que o internacionalismo proletário não é um adorno retórico; é uma necessidade estratégica da luta de classes mundial. O capital é internacionalizado e atua em rede para esmagar os povos; a resposta da classe trabalhadora deve ser igualmente organizada e internacional.

E, sob a luz do Internacionalismo Internacional, a UJC Brasil lança a campanha 1 Real por Cuba.

A campanha 1 Real por Cuba nasce não como um mero ato de caridade burguesa ou assistencialismo liberal. Ela surge das entranhas do internacionalismo proletário, a partir da firme convicção marxista-leninista de que a causa do povo cubano é a causa de toda a classe trabalhadora mundial. Apoiar Cuba socialista é defender a possibilidade concreta de um futuro livre da exploração do homem pelo homem.

Com esta campanha, convocamos a juventude e a classe trabalhadora brasileira em geral a erguer uma ponte concreta de apoio material e político, denunciando o mais longo, criminoso e genocida bloqueio econômico da história humana e reafirmando que Cuba não está sozinha, que o povo resiste e que a juventude segue na vanguarda da construção do socialismo.

Por que um real?

Pela massividade. Queremos que cada trabalhador, desempregado, estudante, militante de partido, membro de sindicato e de movimento popular possa contribuir. Não se trata de uma grande doação individual de um bilionário patrono, mas do somatório da solidariedade da classe trabalhadora brasileira.

Pela conscientização política. A doação de 1 real é o gancho para a panfletagem de rua, para o debate nas portas das fábricas e nas salas de aula sobre o que é o imperialismo, o que é o bloqueio e por que Cuba deve ser defendida.

Pelo rompimento do cerco financeiro. Os recursos arrecadados serão convertidos diretamente em insumos médicos, peças de infraestrutura, alimentos e apoio logístico emergencial para a ilha, demonstrando que a solidariedade dos povos é mais forte que as sanções dos bancos internacionais.

Camaradas, não há espaço para a hesitação nem para a neutralidade quando o império tenta asfixiar um povo inteiro pelo crime de querer ser livre. A Revolução Cubana é o farol que ilumina a América Latina, a prova viva de que a saúde, a educação, a cultura e a moradia podem ser direitos de todos, e não mercadorias para o lucro de um punhado de parasitas burgueses.

O povo cubano está resistindo bravamente no front de batalha. Cabe a nós, na retaguarda e em nossas próprias pátrias, garantir o suprimento, a solidariedade e a denúncia permanente do crime imperialista.

O que você deve fazer agora

  • Contribua financeiramente. Doe R$ 1,00 (ou mais) para a conta oficial da campanha (PIX: ujc.nacional@gmail.com). Cada centavo é uma pedra atirada contra o edifício do imperialismo.
  • Organize comitês de solidariedade. Leve a campanha para o seu centro acadêmico, seu coletivo popular ou sua quebrada.
  • Agite e panflete. Utilize este manifesto para formar núcleos de discussão. Explique aos seus companheiros de trabalho o que é o bloqueio e como os EUA agridem a soberania dos povos da América Latina.
  • Exija o fim do bloqueio. Some sua voz às jornadas internacionais pelo fim imediato do Bloqueio Econômico e pela retirada de Cuba da lista ilegal de “Estados Patrocinadores do Terrorismo”.

O Bloqueio imperialista caducará na lixeira da história. A ganância dos monopólios, a violência do Departamento de Estado dos EUA e as mentiras da mídia burguesa não serão capazes de apagar a chama da Revolução Socialista de 1959.

Cuba resiste! A juventude segue organizada! O povo trabalhador está de pé!

Viva o Internacionalismo Proletário!

Abaixo o Bloqueio Imperialista dos EUA contra Cuba!

Viva a Revolução Socialista Cubana!

¡Patria o Muerte! ¡Venceremos!

Eduardo Matos
Secretário de Relações Internacionais
União da Juventude Comunista – UJC Brasil