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Os jovens comunistas e as eleições
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Os jovens comunistas e as eleições

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A conjuntura apresentada para o ano de 2026 já se inicia com bastante turbulência e uma “volta” dos bolsonaristas aos holofotes da mídia burguesa, ora protagonizando falas fascistizadas em relação à principal pauta dos últimos meses — o fim da escala 6×1 —, ora leiloando a soberania brasileira ao apoiar a narrativa terrorista diante das facções. Para entender esse cenário, é importante compreender a luta de classes e o avanço do imperialismo na América Latina e no mundo.

O debate sobre o fim da escala 6×1 adquire caráter de massas em 2023. No entanto, essa pauta já havia sido apresentada publicamente na campanha presidencial de 2022, quando Sofia Manzano, então candidata à Presidência da República pelo PCB, em entrevista à emissora Band, destacou a relação entre tempo e trabalho, e se colocou em defesa das 30 horas semanais sem redução salarial. Esse foi um dos principais pontos de suas propostas presidenciais, expressos no Programa de 21 Pontos para Revolucionar o Brasil – Um Programa Anticapitalista e Anti-imperialista.

O processo de intensificação da carga horária ao qual a classe trabalhadora está submetida, somado, obviamente, à precarização do mundo do trabalho, à uberização e ao desmonte da CLT por meio das contrarreformas trabalhista e da previdência, evidencia a necessidade de mudanças estruturais nas relações de trabalho. Embora a votação pela redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais tenha sido aprovada na Câmara, ainda é necessário que a proposta seja votada no Senado. Portanto, segue sendo imprescindível a mobilização popular. Ainda que pesem as mediações realizadas, a mobilização popular é a única garantia de que essa votação ocorra de forma favorável à classe trabalhadora.

Paralelamente a isso, Donald Trump define o PCC e o CV como organizações terroristas. Na legislação brasileira, a tipificação do crime de terrorismo foi estabelecida pela Lei nº 13.260/2016, em consonância com o inciso XLIII do art. 5º da Constituição Federal, que dispõe:

Art. 1º Esta Lei regulamenta o disposto no inciso XLIII do art. 5º da Constituição Federal, disciplinando o terrorismo, tratando de disposições investigatórias e processuais e reformulando o conceito de organização terrorista.

Art. 2º O terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste artigo, por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública.

Nesse sentido, o governo estadunidense, em sua face imperialista, busca legitimidade para intervir e atacar o Brasil, retirando sua soberania e abrindo brechas para uma interferência direta não apenas em âmbito local, sob a justificativa de “combater o crime”, mas também por meio da coleta de informações, da infiltração em sistemas de comunicação e da obtenção de dados estratégicos sobre os debates realizados no país.

Vale lembrar que, entre os anos de 2013 e 2015, foi revelado por Edward Snowden, ex-analista de sistemas da CIA, que a presidente da República, assim como a Petrobras, o Ministério de Minas e Energia e outras 29 autoridades do governo brasileiro, foram rotineiramente monitorados por Washington. Isso, não coincidentemente, precedeu o golpe e o processo de leilão e privatização de diversas empresas estatais brasileiras, como a própria Petrobras. Esse mesmo episódio também antecedeu a guinada política do governo de Michel Temer e, anos depois, a ascensão de Bolsonaro ao mais alto cargo do Poder Executivo brasileiro.

Não à toa, essa nova movimentação acontece às vésperas de uma disputa eleitoral em que, muito embora o bolsonarismo tenha sido derrotado nas urnas na disputa pelo Poder Executivo, ainda permanece com forte presença no Poder Legislativo. A composição da Câmara dos Deputados é a seguinte: 79 deputados pelo PL, 68 pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), 59 pela Federação PSDB-Cidadania, 58 pelo PP, 51 pela União Brasil, 46 pelo PSD, 44 pelo Republicanos, 37 pelo MDB, 24 pelo PSB, 19 pelo PDT, 10 pelo PSOL, 9 pelo Podemos, 9 pelo Solidariedade, 8 pelo Novo, 8 pelo PSC, 6 pelo Avante, 5 pelo Patriota, 4 pelo Pros e, por fim, 3 pelo PTB, totalizando os 513 parlamentares.

Nesse cenário, diferentemente da legislatura anterior, houve um recuo numérico dos parlamentares identificados com a extrema direita, que anteriormente somavam 99 deputados. Todavia, observa-se um crescimento significativo da direita tradicional, frequentemente associada aos chamados “colarinhos brancos”. Nota-se também um recuo expressivo do Campo Democrático Popular, que, na legislatura anterior, reunia em conjunto quase 90 parlamentares.

Esse quadro é um reflexo da conjuntura em que os lacaios da burguesia, representados pela direita, elevam à máxima potência o programa neoliberal, já em curso desde a virada do milênio. Seus principais efeitos passaram a ser sentidos com maior intensidade após 2010 e foram incorporados à legislação durante o governo de Michel Temer, com a aprovação da EC 95, o famigerado Teto de Gastos, que impôs limites aos investimentos em educação e saúde públicas, além das contrarreformas trabalhista e da previdência.

Em 2018, a agenda neoliberal se aprofunda e observa-se um crescimento contínuo do número de bilionários no Brasil. Dados recentes apontam que os 10% mais ricos acumulam 70% da riqueza nacional. Atualmente, o país conta com cerca de 71 super-ricos, que concentram, em valores absolutos, um patrimônio de aproximadamente R$ 1,5 trilhão. Entre eles estão Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, apontado como o brasileiro mais rico, seguido de André Esteves, do BTG Pactual, ligado ao capital financeiro e especulativo, e Jorge Paulo Lemann, da Fundação Lemann.

Em contrapartida, os trabalhadores passaram a enfrentar um mercado de trabalho cada vez mais precarizado, marcado pela redução dos empregos formais e pelo avanço de formas flexíveis de contratação, potencializadas pela contrarreforma trabalhista. Como resultado, o desemprego atingiu seu ápice em 2020, alcançando quase 15% da população economicamente ativa.

Na educação, ainda sob os efeitos do Teto de Gastos, mas agora com seu aprofundamento por meio do Novo Arcabouço Fiscal, instituído pela Lei Complementar nº 200/2023 e posteriormente regulamentado pelo PLP nº 93/2023, estabeleceu-se um mecanismo que limita o crescimento das despesas públicas a 70% do crescimento real das receitas do ano anterior, com um piso de 0,6% e um teto de 2,5% acima da inflação ao ano.

Como consequência, em 2024, mais de 500 Institutos e Universidades Federais em todo o Brasil entraram em greve, denunciando a precariedade das instalações, a insuficiência das políticas de permanência estudantil — como restaurantes universitários, bolsas e residências estudantis —, a ausência de planos de carreira para os Técnicos Administrativos em Educação (TAEs), categoria que iniciou o movimento grevista, e as reivindicações dos docentes por melhores condições de carreira e contra a ampliação da contratação temporária de profissionais. A greve nacional durou cerca de quatro meses e, embora tenham ocorrido mesas de negociação ao longo do processo, grande parte das reivindicações apresentadas não foi atendida.

Em 2026, a luta do movimento estudantil e dos trabalhadores da educação conquistou a destinação de 10% do PIB para a educação. No entanto, esse percentual não será aplicado em sua integralidade justamente pelo fato de o Novo Arcabouço Fiscal ainda estar vigente. Além disso, a nova política do Plano Nacional de Educação (PNE), que utilizará os recursos aprovados, estabelece 19 metas para a próxima década (2026–2036), dentre elas a alfabetização de 80% das crianças, a implementação do ensino em tempo integral em 65% das escolas e para 50% dos estudantes, entre outras.

No que tange ao ensino superior, a Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), reformulada em 2024, contempla diversos programas de assistência aos estudantes, incluindo bolsas, moradia, alimentação, saúde e suporte tecnológico, entre outros. Todavia, essa política encontra-se inviabilizada em sua totalidade justamente pela existência de um limite de gastos imposto por lei. Tal situação expressa a lógica burguesa de retirar recursos públicos da educação e direcioná-los ao capital especulativo e financeiro, além de fortalecer os oligopólios da educação privada.

Nesse cenário, os TAEs retornam à greve em 2026 em diversas universidades, agora somados a um levante estudantil que impulsiona greves e paralisações locais e nacionais em defesa da permanência estudantil. Essa pauta reflete diretamente a garantia do acesso dos filhos e filhas da classe trabalhadora à universidade, uma vez que sua permanência depende da existência de condições materiais adequadas, como moradia, alimentação, bolsas e infraestrutura. Trata-se, em essência, da expressão da luta de classes no interior da educação.

Nessas novas mobilizações, a Universidade do Estado de São Paulo (USP), uma das últimas universidades públicas a adotar a política de cotas, apresenta um dos exemplos mais evidentes de que a luta está posta e de que o movimento estudantil e os movimentos de massas vêm sendo criminalizados pelo Estado. Ainda que todas as categorias da universidade tenham aderido à greve, tanto a reitoria quanto o governo permanecem resistentes a negociar as principais reivindicações apresentadas pelos diferentes setores da comunidade universitária.

Nesse sentido, o ano de 2026 apresenta uma conjuntura bastante acirrada no âmbito da luta de classes, com diversas pautas assumindo caráter de massas e o capitalismo chegando ao esgotamento de suas possibilidades táticas. Nesse momento, torna-se necessário traçar novas rotas e construir alternativas no caminho da transformação socialista e da emancipação nacional.

Diante disso, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) lança pré-candidaturas próprias, comprometidas com os interesses da classe trabalhadora, tendo como principais bandeiras a jornada de 30 horas semanais sem redução salarial, o pleno emprego e uma democracia que dialogue efetivamente com os interesses populares. Para isso, convocamos a juventude de todo o Brasil a somar-se à Plataforma Comunista do PCB e a construir as candidaturas populares de norte a sul do país.

Pelas 30h semanais!

Pelos 10% do PIB para a educação!

Pelo Poder Popular!

Coordenação Nacional
União da Juventude Comunista – UJC Brasil
10 de junho de 2026


Pré-candidaturas do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Presidência da República: Edimilson Costa

Acre

Governador: Eudo Raffael

Maranhão

Governador: Reginaldo Lima

Minas Gerais

Governador: Túlio Lopes

Deputada Estadual: Jéssica Lopes

Deputado Estadual: Mário Mariano

Deputado Estadual:  Thomas Carrieri

São Paulo

Senador: Carlos Machado