c Para defender e reerguer a UNE: unidade para resistir, ousadia para avançar! – UJC
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Para defender e reerguer a UNE: unidade para resistir, ousadia para avançar!
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Para defender e reerguer a UNE: unidade para resistir, ousadia para avançar!

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Manifesto do Movimento por uma Universidade Popular rumo ao 57º Congresso da União Nacional dos Estudantes

Mais uma vez na história do Brasil, tempos sombrios e desafiadores flertam com um passado recorrente de violência, repressão e perseguições políticas. O governo Bolsonaro inspira-se nos métodos repressivos dos tempos de ditadura, promove a intolerância às diferenças, gera factóides na mídia e redes sociais, em parte para desviar o foco da opinião pública das medidas que o novo governo pretende adotar no Brasil, em parte expressando o nível de reacionarismo das forças com que compõe. Seu objetivo principal é saquear as riquezas nacionais, realizar privatizações e retirar os direitos da juventude trabalhadora, servindo aos interesses das elites e de grandes potências estrangeiras imperialistas, ameaçando as liberdades democráticas e as condições de vida do povo trabalhador.

Esse governo tem como carro-chefe a Reforma da Previdência. Se aprovada, a reforma afetará os mais pobres e pessoas que dependem integralmente desse benefício para sobreviver. Para nós, jovens, essa reforma impõe danos terríveis: o tempo que precisaremos ter dentro mercado de trabalho, para conseguir o benefício integral da aposentadoria, será superior a 40 anos, tempo mínimo para o acesso integral ao benefício. Na prática, mesmo quem começou a trabalhar com 16 anos só poderá se aposentar após os 65, levando em conta o desemprego!

O impacto dessas mudanças na vida dos brasileiros contribuirá diretamente para o aumento da já tão drástica desigualdade social em nosso país. Isso, sem contar os cortes e congelamento de investimento nas áreas essenciais à vida, como saúde e educação.

Em sua história, o movimento estudantil cumpriu o importante papel de ser a ferramenta de luta da juventude para a defesa de seus interesses, principalmente nos momentos de maior ofensiva de pautas anti-povo por parte dos governos. Acreditamos, portanto, que esse é o momento de juntos fortalecermos, construirmos e massificarmos nossas entidades estudantis – como os centros acadêmicos, diretórios centrais e uniões estaduais de estudantes – e, principalmente, a União Nacional dos Estudantes. Queremos retomar a UNE para o dia-a-dia dos jovens brasileiros, para fazer frente ao governo Bolsonaro nas universidades públicas e privadas, mas principalmente nas ruas!

Defender uma educação popular é preciso!

Na educação, o governo tem como objetivo fortalecer uma lógica tecnicista, anti-intelectual e acrítica, servindo aos interesses dos grandes grupos nacionais e estrangeiros que transformam a universidade num negócio e restringem o acesso da juventude trabalhadora ao ensino superior. Dentre as medidas já anunciadas pela equipe educacional de Bolsonaro desde a campanha estão o apoio à implementação do projeto Escola Sem Partido e a implementação do Ensino a Distância (EaD) desde o ensino fundamental até o ensino superior. Sendo que nas universidades privadas o percentual de vagas EaD ofertadas já chega à 30% nacionalmente.

Estrangulam o orçamento da educação pública pretendendo a cobrança de mensalidades, e ameaçam a autonomia universitária e das eleições diretas e paritárias para reitorias. Planeja-se o fim das cotas raciais, uma das maiores vitórias que nós estudantes conquistamos no último período.

A perspectiva de qualquer regulamentação do ensino privado não é pautada pelo MEC. Enquanto isso, as taxas e cobranças de mensalidades abusivas estão na ordem-do-dia das instituições de ensino. Somos afetados pelos cortes dos programas do FIES e PROUNI, pela intensa precarização das universidades e demissão dos professores, não contamos com qualquer direito à permanência estudantil (seja por via de bolsas, passe-livre de ônibus, moradia ou alimentação com custo acessível) e somos perseguidos quando tentamos mobilizar os colegas para lutar pelo que deveria ser nosso por direito.

Para o MUP, é hora de resistirmos ao projeto de educação da extrema direita afirmando e construindo coletivamente um projeto público, nacional, democrático e pautado pelos interesses populares. É hora de defendermos as cotas sociais e raciais, mas tendo como perspectiva a universalidade do acesso e permanência na universidade pública. É hora de valorizarmos e divulgarmos as diversas experiências de ensino, pesquisa e extensão de qualidade nas universidades, defendendo sua ampliação e o seu maior vínculo com as demandas populares. Para isso, precisamos de uma UNE mais atuante, democrática e propositiva.

Por que queremos defender e reerguer a UNE?

Fazemos parte daqueles que não abrem mão de relembrar e fazer juz à história da UNE, que durante a ditadura militar teve grande papel na resistência contra a censura e a repressão. Sabemos que as lutas que virão serão duras e, para garantirmos a vitória dos que defendem as liberdades democráticas e os direitos sociais, é necessário retomar nossa entidade nacional para o caminho combativo e popular.

Queremos construir a mais ampla unidade contra o governo Bolsonaro, para resgatar a dignidade e soberania de nosso país! Queremos defender a vida e os direitos dos jovens estudantes, trabalhadores, mulheres, negros, negras e LGBTs. Queremos uma entidade estudantil que dê o exemplo: entre os estudantes, ninguém solta a mão de ninguém! Todos devem se sentir parte dessa luta. Queremos uma entidade mais massificada e presente no dia a dia de cada estudante e não, como hoje, ainda presa a uma lógica de cúpulas e refém de pequenas disputas imaturas do movimento estudantil.

A UNE, então, deve ser um foco de mobilização estudantil para que todas as medidas de austeridade, retirada de direitos e retrocessos democráticos sejam acompanhados com luta e resistência. Para cumprir essa tarefa tão importante, a entidade precisa estar presente na vida dos estudantes, propondo a construção de uma visão estratégica a educação brasileira, com caráter popular e transformador que aponte para um Brasil mais justo, soberano e igualitário.

Nesse sentido, acreditamos ser imprescindível a defesa da Universidade Popular. Só conseguiremos resistir com consequência e combatividade se tivermos como objetivo um projeto de educação que garanta o ensino público, gratuito, laico e de qualidade, e também atenda as necessidades da população, na perspectiva de construção do socialismo. Que questione o elitismo e o avanço da mercantilização da educação, paute soberania nacional junto à produção de ciência e tecnologia a partir das demandas do povo brasileiro, amplie a democracia universitária e construa experiências de extensão junto aos movimentos populares. E o 57º Congresso da UNE, onde estarão reunidos mais de 15 mil estudantes de todo país, é uma grande oportunidade para a construção dessa estratégia! Por isso, convocamos todos e todas a construir essa luta, em unidade para resistir e com muita ousadia para avançar! Ousar lutar, ousar vencer!