c Acirramento da pandemia: defender a vida da classe trabalhadora é lutar pelo Socialismo! – União da Juventude Comunista
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Acirramento da pandemia: defender a vida da classe trabalhadora é lutar pelo Socialismo!
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Acirramento da pandemia: defender a vida da classe trabalhadora é lutar pelo Socialismo!

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No último dia 11 de janeiro, a Tribuna do Norte – principal veículo jornalístico da mídia hegemônica no Estado do Rio Grande do Norte – publicou a matéria “Surto de gripe afeta lojas e restaurantes de Natal”. Pela manchete, percebe-se de cara o tom norteador do texto: diante de uma pandemia que já ceifou mais de 600 mil mortes e da aceleração de um surto epidêmico do vírus Influenza que está acometendo com altíssima transmissibilidade o povo brasileiro, o problema central é que a gripe afete lojas e restaurantes.


Por mais que aparente ser apenas um modo de falar, essa manchete – e a matéria que se segue – denunciam de modo explícito a forma fetichizada com que as mercadorias aparecem em relação ao verdadeiro sujeito da produção – a classe trabalhadora – e como esse se torna apenas mais um objeto no processo de gerar mais-valor. É sintomático que, ao longo da pandemia, tenham tido declarações tão similares de conjuntos de empresários – usem eles sapatênis ou não – minimizando a pandemia e condenando o lockdown em nome da “economia”.


Nesse sentido, não é aleatório que, diante de um surto de gripe, o qual se constitui num sério risco à vida das trabalhadoras e dos trabalhadores, mas que jamais contaminará e deixará de cama as estruturas arquitetônicas de um Nau, Curió ou Camarões, a mídia hegemônica dê destaque às “lojas e restaurantes” e não às vidas. No século XIX, Marx já nos alertava acerca do feitiço da mercadoria: “É apenas uma relação social determinada entre os próprios homens que adquire aos olhos deles a forma fantasmagórica de uma relação entre coisas.” (MARX, 2013, p.122)


Buscando o cerne do conteúdo presente na matéria, encontramos os aportes ideológicos necessários à consolidação do projeto da burguesia brasileira – a defesa da plena ordem capitalista, do aumento da exploração e da manutenção do crescimento das taxas de lucro – o qual, em meio a uma pandemia e frente ao acirramento das contradições sistêmicas, explicitou a contradição entre a determinação coletiva das condições de vida da classe trabalhadora e a dinâmica do capital.


Assim, a forma de retratar a vida das trabalhadoras e dos trabalhadores desses “estabelecimentos em crise” obedece a uma lógica bem objetiva: o problema de um garçom/uma garçonete, cozinheira/o ou servidor/a de limpeza ficar doente é o tempo que passará sem trabalhar e que necessitará de reposição. Ao longo da pandemia, também há o risco de o/a trabalhador/a morrer – e aí o problema passa a ser o trabalho de treinamento e preparação de um novo “peão”, no sentido próprio do xadrez – uma peça nada mais que descartável no grande jogo da burguesia. Esse é o capitalismo expondo suas entranhas.


Vale ressaltar, também, como essa lógica se intensifica em momentos de desmonte dos serviços públicos e de ataque às condições de trabalho, cada vez mais precárias e distantes de uma relação firmada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Quanto maior a insegurança do/a trabalhador/a e o desemprego/informalidade – mesmo que sob o rótulo de empreendedorismo –, maior o grau de descartabilidade da classe e menores as condições de organização em sindicatos e associações.


Vivemos uma fase da pandemia no Brasil em que grande parte da classe trabalhadora adulta está vacinada – apesar dos esforços fascistas do bolsonarismo – e, no entanto, a ausência de um plano nacional de combate ao vírus segue provocando riscos altíssimos para a saúde da maior parte da população, que tem abandonado as medidas de proteção individual e isolamento – não apenas pelo desgaste desses últimos dois anos, mas pela exigência e estímulo do próprio sistema. É necessário reiterar a importância dessas medidas, junto à bandeira imediata do Fora Bolsonaro-Mourão-Guedes!


Diante desse cenário, portanto, cresce a necessidade de combater fortemente o avanço da agenda liberal através de iniciativas de organizações classistas, ampliando ações de solidariedade e agitando acerca das contradições que se explicitam no seio da sociedade brasileira. Defender os serviços públicos com financiamento 100% estatal e meios de participação e regulação por parte da classe trabalhadora, assim como a estatização das grandes empresas, a Reforma Agrária e a garantia dos direitos trabalhistas são pautas histórica das/os comunistas, pela vida do povo trabalhador brasileiro, necessárias para solucionar os problemas crônicos de nosso país. Essas pautas só serão conquistadas através de muita luta, da construção do Poder Popular, no rumo do Socialismo.