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Organizar os trabalhadores e derrotar o coronavírus! Fora Bolsonaro e Mourão!
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Organizar os trabalhadores e derrotar o coronavírus! Fora Bolsonaro e Mourão!

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crédito imagem: AGUSTIN MARCARIAN / REUTERS

A situação da pandemia do coronavírus continua impondo duras circunstâncias à classe trabalhadora através do mundo. Se alguns países, como Vietnã e China, já têm aberto timidamente as atividades nos principais centros urbanos, com todas as medidas de segurança possíveis, isso só foi possível porque houve uma adesão massiva ao isolamento social, sustentada por políticas de prevenção e de seguridade social para a classe trabalhadora. No entanto, na maioria dos países, a pandemia segue forte, fruto da incapacidade dos governos capitalistas de assumirem o grau de seriedade da pandemia e estarem dispostos a sacrificar centenas de milhares de trabalhadores em nome de seus lucros. Dessa parcela, a juventude, que sofre globalmente com trabalhos precarizados, com menos direitos e com maior rotatividade, é o setor mais afetado.

No Brasil, o governo de Bolsonaro e Mourão continua sua política de subserviência aos interesses da burguesia nacional e internacional, buscando uma aplicação do programa ultraliberal de desmonte dos serviços públicos e ataques aos direitos sociais e liberdades democráticas. Isso não impede o governo de colher as contradições de sua política genocida. Na semana passada, o ministro da saúde, Nelson Teich, depois de menos de um mês substituindo o antigo ministro Luiz Henrique Mandetta, pediu demissão do governo, demonstrando a extrema incapacidade de o bloco no poder dar qualquer solução para a pandemia.

Se em um primeiro momento, as mortes estavam concentradas nos setores com maior vulnerabilidade (idosos e crianças pequenas), o avanço na pandemia, sobretudo nos grandes centros urbanos, começou a afetar os jovens de forma ainda mais brutal, justamente porque trabalham diretamente em setores em que o pouco histórico de luta não está lhes permitindo arrancar o direito ao isolamento social e, portanto, à sua própria vida.

Para além disso, as condições de trabalho da juventude têm sido ainda mais atacadas. Ondas de demissões são noticiadas em quase todo dia, em diversos setores da produção, desde a indústria até o setor de serviços. Além disso, aqueles que mantêm seu emprego tem tido suspensão de contratos ou redução de carga horária, com os empresários se beneficiando da criminosa Medida Provisória 936/2020 para jogar para o orçamento público os encargos dos empresários e prejudicando os trabalhadores pela redução de seus rendimentos. Junto a isso, todo o contingente de desempregados não conseguem encontrar postos de trabalho, aumentando ainda mais o conjunto de milhões de brasileiros que sofrem nessa situação.

As pressões para retomada das atividades, no entanto, são imensas. O discurso do presidente, junto a atos de barbárie como a “manifestação” em Campina Grande (PB) em que os empresários obrigaram os trabalhadores (sob ameaça de demissão) a ajoelhar com placas pedindo a reabertura do comércio, impõem um medo de qualquer movimentação por parte dos trabalhadores. O atraso e a burocratização de pedido do auxílio emergencial, que, apesar do valor abaixo do salário mínimo, é o que a grande parcela da juventude trabalhadora possui para enfrentar a quarentena e respeitar as medidas de isolamento social orientadas pela OMS, precarizam ainda mais as condições de vida em meio a pandemia dos jovens brasileiros. Enquanto isso, trilhões foram liberados para bancos. É dever do estado garantir as condições necessárias para a classe trabalhadora permanecer em casa durante a pandemia que assola justamente a nossa classe em maior proporção.

A política de repressão nos bairros e periferias também tem se mantido a todo o vapor, demonstrando a convergência entre setores militares, milicianos e governamentais. Um episódio de barbárie ocorreu no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, em que o BOPE atacou a comunidade com armamento pesado e resultou em 13 assassinados e no recente assassinato pela polícia, na mesma cidade, do menino João Pedro de 14 anos. Os setores mais vulneráveis e oprimidos da sociedade, como o são a juventude negra e periférica, segue na mira da arma.

Ainda sim estamos conseguindo arrancar vitórias, pois a política de ataque à educação pública que já era marca desse governo foi obrigada a recuar quando com a forte mobilização dos estudantes através de suas entidades ganhou o debate público sobre o adiamento da prova do ENEM, constrangendo o senado a votar pela sua aprovação. Apesar de sermos duramente contra qualquer forma de exame de ingresso ao ensino superior, defendendo uma Universidade Popular com acesso universal, hoje o ENEM ainda oferece minimamente um acesso a jovens das camadas mais empobrecidas à universidade. Na defesa da manutenção da data, com a impossibilidade de aulas nas escolas, o governo apostava ainda mais em um filtro social, que vá privilegiar os jovens que têm condições materiais de acesso aos estudos mesmo durante a pandemia. 

Desde antes do começo da pandemia, já vínhamos destacando a necessidade de levantar alto a bandeira do “Fora Bolsonaro e Mourão” para cassar a chapa presidencial e barrar a política de terra arrasada e destruição dos direitos dos trabalhadores. O governo ilegítimo, antinacional, antidemocrático e antipopular que comanda o país, fruto de eleições fraudulentas, combinadas com o aparato das fake news e apoiadas pelo Judiciário, não expressa os interesses da juventude e da classe trabalhadora. Mas a pandemia deixou esse caráter totalmente burguês do governo ainda mais escancarado: o governo de Bolsonaro joga a classe dos pequenos empresários, duramente afetados pelo isolamento social, no colo da grande burguesia que o sustenta no poder, mantendo o discurso anticientífico e genocida de que é preciso voltar ao normal a qualquer custo – sabendo, é claro, que o custo disso serão as vidas dos jovens e dos trabalhadores.

Com o avançar desses ataques, muito bem estabelecidos pelo programa econômico encabeçado pelo ministro Paulo Guedes, devemos também ter outra postura. Diversas iniciativas de impeachment foram encabeçadas por setores os mais diversos dentro do Congresso Nacional. Nós entendemos que uma iniciativa como essa não pode ser feita como mais um acordo de cúpulas, mas que o próprio movimento social, os sindicatos, as entidades estudantis e todo instrumento de luta dos trabalhadores e da juventude devem se envolver em uma forte campanha pelo impeachment de Bolsonaro, campanha construída a partir de baixo, com uma forte mobilização.

Também expressamos nossa total solidariedade e disposição de construção quaisquer manifestações que, respeitando as medidas sanitárias, impeçam os atos e manifestações grotescos organizados pela direita. É preciso moralizar nossa luta e não ficaremos parados enquanto os setores mais reacionários da extrema direita tomam as ruas.

Como principal ação, reforçamos o chamado à auto-organização dos trabalhadores e da juventude para unirmos forças no combate às consequências do coronavírus. Por meio do Fórum Popular, Sindical e de Juventude por Direitos Sociais e Liberdades Democráticas, que tem sido o espaço de encontro mais avançado na reorganização das lutas da classe trabalhadora nessa conjuntura, iremos começar uma campanha nacional contra o desemprego e em favor do pagamento da renda básica a todos(as) os(as) trabalhadores(as), através dos diversos Comitês em Defesa da Renda Básica e do Emprego que estamos começando a organizar. Conclamamos a toda a juventude, inclusive os setores estudantis, a se somarem a nós nessa tarefa, tanto nos Comitês quando no Fórum, que têm como objetivo não apenas diminuir as terríveis consequências que a pandemia tem colocado aos trabalhadores, mas também avançar na organização da nossa classe para as lutas que virão.

FORA BOLSONARO E MOURÃO!
EM DEFESA DOS DIREITOS DA CLASSE TRABALHADORA E DAS LIBERDADES DEMOCRÁTICAS!
PELO PODER POPULAR NO RUMO DO SOCIALISMO!