
A juventude catarinense deve libertar-se do capataz, não trocá-lo
Neste período eleitoral que se iniciou em agosto, Santa Catarina encontra um contexto político que acende alertas para a juventude e exige uma análise concreta da conjuntura. Para nós, comunistas, o cenário é claro: a hegemonia da direita no estado se consolida como expressão de um processo mais amplo de avanço reacionário, mas não sem que contradições importantes se manifestem no seio da classe trabalhadora e da própria juventude.
A pesquisa mais recente sobre a corrida presidencial em território catarinense confirma a manutenção da preferência do eleitorado pelo campo da direita. Flávio Bolsonaro, mesmo apresentando queda de quatro pontos percentuais em pouco mais de dois meses — de 51,8% em maio para 47,4% em julho —, mantém ampla liderança. Lula, com estabilidade na casa dos 25%, parece ter dificuldade em furar a bolha de um estado historicamente refratário ao projeto petista. É a extrema-direita quem segue capitalizando o descontentamento social de forma distorcida.
É nesse terreno que chama a atenção o crescimento de Renan Santos do Partido Missão. Saltando de 2,5% em maio para 7,2% em julho, tornando-se o terceiro colocado, sua pré-candidatura demonstra relevância, principalmente na juventude do estado. Mesmo que seu discurso se apresente como uma alternativa no campo crítico, é preciso desmascarar sua verdadeira natureza: essas supostas alternativas, que flertam com o fascismo e se vestem de retórica antissistema, na realidade apenas perpetuam o sistema de exploração. Não se consolidam como solução real para as crises e contradições capitalistas porque não atacam suas causas estruturais, a propriedade privada dos meios de produção, a extração de mais-valia e a subordinação ao imperialismo.
O que devemos fazer?
O apelo que figuras como Renan Santos exercem sobre a juventude catarinense não é acidental. Ele se alimenta do justo cansaço com a política tradicional e da raiva contra as condições precárias de vida. Contudo, ao invés de canalizar essa energia para a organização classista e a ruptura revolucionária, oferecem atalhos falsos: personalismos, discursos moralizantes e um falso radicalismo que, no fundo, mantém intactas as engrenagens da exploração. Crescem como erva daninha no solo fértil da desesperança, mas são incapazes de florescer em verdadeira emancipação. Cabe a nós, comunistas, apontar que a saída não está em trocar de capataz, mas em abolir o feitor.
Sua ascensão não altera o predomínio da direita tradicional, mas adiciona uma camada de disputa no espectro político que exige de nós firmeza na construção de uma alternativa independente e classista. Não basta denunciar o bolsonarismo como projeto fascistizante se não denunciarmos também aqueles que, sob nova maquiagem, reproduzem a mesma lógica de dominação que mantém a juventude catarinense triturada entre jornadas extenuantes e a falta de perspectivas.
A construção de uma alternativa comunista, anticapitalista e anti-imperialista para o estado é a única resposta consequente ao domínio bolsonarista e às falsas alternativas que o período eleitoral insiste em plantar. É com a juventude trabalhadora que está na periferia, nos locais de trabalho, nas escolas e universidades que devemos cultivar um futuro de esperança, exterminando essas ervas daninhas de nosso solo.
Núcleo Lúcia Schenato, Santa Catarina
União da Juventude Comunista – UJC BRasil
19 de agosto de 2026




