
Nosso futuro se conquista com luta: derrotar o fascismo nas urnas e nas ruas!
O resultado do primeiro turno alarmou grande parte da população brasileira e despertou na juventude um temor justificado em relação ao próprio futuro. Vimos um avanço expressivo da extrema direita no Legislativo e a vitória de forças reacionárias em governos estaduais já no primeiro turno. Na disputa presidencial, Lula obteve 45,16% dos votos, enquanto Flávio Bolsonaro terminou à frente, com 47,03%. Esse cenário evidencia a dimensão do desafio que temos pela frente e exige compreender a gravidade do momento e a urgência de nossa ação. Não podemos permitir que o medo se transforme em paralisia: cruzar os braços é abrir caminho para novas derrotas. É hora de transformar a indignação em organização e luta!
Após esse resultado desastroso, vimos muitos jovens inconformados buscarem as organizações populares e de luta da classe trabalhadora, entendendo a necessidade da mobilização coletiva para contra-atacar a direita. Nossos inimigos de classe sentiram esse movimento e já reagem: o incêndio ocorrido na UFPE no último dia 7 de outubro — que, embora ainda sob investigação, carrega fortes suspeitas de origem criminosa e motivação política por suceder um ato dos estudantes —, somado a diversas ameaças pelo país, tem o claro intuito de nos intimidar.
Não recuaremos um milímetro! Mas nossa disposição de luta precisa se traduzir em ação organizada. A presença em atos, embora importante, não basta: sem articulação e continuidade, manifestações dispersas podem consumir nossas forças sem ampliar nossa inserção popular. Precisamos ir além: é hora de priorizar o trabalho cotidiano de virar votos, as panfletagens e o diálogo franco nos bairros, nos locais de trabalho e de estudo, articulando a mobilização nas ruas ao trabalho de base e focando especialmente na juventude trabalhadora que não votou no primeiro turno. Nossas fileiras precisam se consolidar como polos coesos para acolher os que se aproximam da nossa linha, dando vazão organizativa real a essa vontade de lutar.
Precisamos ter clareza do que está em jogo para a juventude brasileira. Um eventual governo de extrema direita sob o comando de Flávio Bolsonaro representaria o aprofundamento da barbárie: ataques ao ensino público, avanço das privatizações, precarização das condições de vida e de trabalho, com a expansão do subemprego e da uberização, e intensificação da violência de Estado contra a classe trabalhadora, especialmente a juventude negra e periférica. Uma política de terra arrasada que comprometeria ainda mais o presente e o futuro da juventude.
O avanço do fascismo no Brasil e no mundo expõe os limites da política de conciliação de classes promovida pela social-democracia, incapaz de enfrentar as raízes da crise capitalista. Vamos às ruas sem ilusões quanto ao projeto petista: a superação do capitalismo, com a construção do Poder Popular e do socialismo, é necessária para assegurar condições dignas de vida à classe trabalhadora e enfrentar a crise climática que ameaça a sobrevivência da humanidade. Diante da correlação de forças atual, é urgente somar forças para derrotar a extrema direita e defender as condições de organização e luta da nossa classe, mantendo nossa independência política e nosso horizonte revolucionário.
A União da Juventude Comunista, juventude do Partido Comunista Brasileiro — que enfrentou longos períodos de clandestinidade ao longo de sua história —, reafirma a importância da defesa dos direitos democráticos. Essa defesa honra o legado de Prestes, Marighella, Jorge Amado e tantos outros representantes que a classe trabalhadora ajudou a eleger e cujos mandatos foram arbitrariamente cassados em 1948, após o cancelamento do registro do PCB no ano anterior. Recordamos também o golpe empresarial-militar de 1964 e a ditadura que perseguiu, prendeu, torturou e assassinou aqueles que lutavam por liberdade e justiça social. Nossa história demonstra que as liberdades democráticas são conquistas da luta popular e precisam ser defendidas diante de cada ameaça de retrocesso. Mas nosso horizonte vai além: as promessas de “liberdade, igualdade e fraternidade” das revoluções burguesas permanecem negadas à maioria da população. Lutamos para torná-las realidade para todos, superando a exploração de classe, a opressão e a desigualdade.
O que a juventude pode fazer diante desse cenário?
Organizar, disputar e mobilizar! Construir uma presença permanente nos locais de trabalho, estudo e moradia; fortalecer organizações de luta como sindicatos, entidades estudantis e movimentos populares; combinar formação política e ação concreta em torno das necessidades da nossa classe.
Nesta batalha eleitoral, isso significa dialogar, panfletar, virar votos e ocupar as ruas, fazendo de cada ação uma oportunidade para ampliar a organização popular. Esse trabalho precisa continuar depois das urnas, com vínculos duradouros, participação coletiva e capacidade de luta. Nosso objetivo é acumular forças para que a classe trabalhadora conquiste o poder e transforme a sociedade pela raiz!
Neste momento, nossa tarefa é não ceder terreno ao fascismo. No dia 25 de outubro, sem baixar nossas bandeiras nem esconder nossas divergências, é Lula 13 para derrotar Flávio Bolsonaro! Seja qual for o resultado das urnas, no dia seguinte seguiremos firmes na organização da classe trabalhadora e de sua juventude, na luta pelo Poder Popular e pelo socialismo!
Coordenação Nacional
União da Juventude Comunista – UJC Brasil
Juventude do Partido Comunista Brasileiro – PCB
9 de outubro de 2026
Foto/edição: Ana Caiana / PCB




