Dois séculos após a declaração da Doutrina Monroe — a diretiva de política externa dos Estados Unidos que sistematizou a intervenção imperialista na América Latina como política de Estado — e vinte e um anos após a última invasão norte-americana nas Américas, no Haiti, em 2004, assistimos hoje a uma escalada agressiva sem precedentes contra a América do Sul. Pela primeira vez desde a virada do século, nosso continente tornou-se, novamente, o principal teatro de ação militar dos EUA. Diante desse cenário, reafirmamos a necessidade da unidade dos povos latino-americanos na luta anti-imperialista, pela soberania, pela paz e pela autodeterminação de nossas nações.
Zohran Mamdani, militante dos Socialistas Democráticos da América, foi eleito em 5 de novembro de 2025 o 111º prefeito de Nova Iorque. Sua vitória, construída com ampla mobilização popular e forte presença nas redes, levou ao centro do debate propostas como congelamento do aluguel, tarifa zero e revisão da atuação policial.
As ameaças de tarifárias dos EUA (50% para o Brasil, 30%–60% para a UE, 51% para a China e 10% para BRICS) revelam o paradoxo de um país que pregou o livre-comércio e agora se torna o epicentro do protecionismo – movimento que visa frear o avanço do BRICS e, em última instância, acelerar o declínio da própria hegemonia estadunidense.
Mesmo com o resultado da eleição já definido, muitas perguntas se abrem: até quando os EUA permitirão que a China se entranhe na América Latina sem uma escalada ainda maior de violência? O que, dentro desse conflito, diz respeito à classe trabalhadora latino-americana, e como a continuidade ou mudança na presidência dos EUA impacta essa relação? Quais “bandeiras” da burguesia americana avançarão e de que forma? Veremos mais armas americanas matando nossos jovens negros, mais espiões da embaixada americana atacando nossas estatais e mais subserviência do Exército Brasileiro aos seus interesses?