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Operação Maré e a guerra aos pobres

Operação Maré e a guerra aos pobres

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Há pouco tempo assistimos o triste assassinato de três médicos no quiosque na Zona Oeste do Rio de Janeiro, cuja principal linha investigativa apontava por uma execução acidental. O objetivo inicial dos homens que os mataram é apontado como o assassinato dos três milicianos que estavam na mesma hora e quiosque que os médicos. Diante desse “erro” por parte da operação, a investigação aponta que chefes do tráfico enviaram diretamente do presídio a ordem de execução dos assassinos dos médicos, que teriam atraído muita atenção pra operação.

Desde a morte dos médicos, temos acompanhado uma aproximação tática entre a Polícia Militar do RJ e a Polícia Federal, assim como os organismos investigativos de cada instância, buscando combater o que Cláudio Castro chamou de “uma verdadeira máfia, uma máfia que tem entrado nas instituições, nos poderes, nos comércios, nos serviços e no sistema financeiro nacional”. Hoje, 16 de outubro, 150 agentes da Força Nacional chegaram no Rio de Janeiro para reforçar a operação. Centenas ainda virão.

Buscando tirar de foco o fato que toda a estrutura política do Rio de Janeiro funciona e convive com as milícias organizadas há anos, o governador do RJ- que tem ligações diretas com as milícias – e o governo federal se uniram numa força tarefa que resulta em gigantes operações policiais nas favelas às custas do medo e das vidas da população negra e favelada em todo o estado.

Desde a última semana a maior operação policial do RJ, a Operação Maré, com mais de 1.000 policiais, cercou as favelas do Tijolinho, Timbau, Baixa do Sapateiro, Fogo Cruzado, Salsa e Merengue, Vila do Pinheiro, Vila do João e Conjunto Esperança, além da Cidade de Deus, deixando mais de 20 mil crianças sem aula e impedindo o direito de ir e vir dos moradores.

Moradores estão sendo atingidos a tiros e o medo prevalece. É impossível amanhecer sem que nos perguntemos quem será a próxima vítima inocente. Talvez um parente, um familiar, ou nós mesmos. No regime de segregação social do nosso país, não é exagero a juventude das favelas se perguntar se viverão o próximo dia.

A favela não produz drogas, nem armas, mas é lá que as forças policiais atiram e matam. As maiores apreensões de fuzis e de drogas historicamente são feitas em condomínios de luxo, sem uma bala sequer disparada. Dizemos basta! Basta de extermínio e de morte promovida contra os pobres, pra defender a burguesia em todo o mundo. Da Palestina ao Brasil, são armas israelenses que matam jovens e a grande mídia acoberta esse banho de sangue diariamente.

JUVENTUDE TRABALHADORA, ORGANIZE SUA REVOLTA!

BASTA DE EXTERMÍNIO E GUERRA AOS POBRES!

É NÓS POR NÓS!

Coordenação Regional da UJC Rio de Janeiro

16 de outubro de 2023