c Nota de repúdio e denúncia à empresa BRF – Brasil Foods e a agressão contra o trabalhador haitiano Djimy Cosmeus – UJC
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Nota de repúdio e denúncia à empresa BRF – Brasil Foods e a agressão contra o trabalhador haitiano Djimy Cosmeus

Nota de repúdio e denúncia à empresa BRF – Brasil Foods e a agressão contra o trabalhador haitiano Djimy Cosmeus

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A União da Juventude Comunista do Núcleo de Chapecó vem manifestar o seu repúdio e denúncia em decorrência da agressão física cometida por três seguranças da empresa privada G4S Brasil.

Na tarde do dia 08 de julho de 2021, por volta as 14 horas da tarde, o trabalhador Djimy Cosmeus, de 28 anos, foi chamado pelo supervisor da empresa, Moisés, onde o exigiu a assinar um documento de advertência que alegava que o trabalhador não havia comparecido no dia anterior, Djimy em sua defesa, recusou a assinar alegando que havia cumprido com seu horário, onde até mesmo seus colegas de trabalho testemunharam que o mesmo havia comparecido no local do trabalho tendo entrado para trabalhar no dia 7 de julho, às 12h, encerrando seu expediente às 21h37.

O supervisor da equipe ainda, pediu para que Djimy se retirasse da empresa, o insultando com falas racistas e xenofóbicas, dizendo que o mesmo deveria voltar para o seu país e encontrar um trabalho por lá. Tendo se recusado a assinar a advertência, o supervisor pediu que Cosmeus fosse retirado do local, mas o trabalhador explica que não poderia deixar o posto, pois dependia dele para sobreviver. Ao recusar assinar a advertência, a segurança da empresa foi acionada, onde o uso da violência foi utilizado como uma forma de punição.

Na entrevista realizada pelo canal de comunicação Brasil de Fato, o trabalhador ainda aponta: “Eu gritava para alguém fazer alguma coisa, eles gritavam que estavam me disciplinando. Eu gritei que esse homem iria me matar, eu sentia dores nas costas e fui sendo asfixiado.”

O ocorrido não é um fato isolado, como a mídia hegemônica atrelada ao grande capital tenta nos convencer diariamente. No ano de 2020, outros dois casos semelhantes causaram revolta e repercutiram entre a nossa sociedade: Onde o cidadão estadunidense George Floyd, foi covardemente assassinado por dois policiais ao sair de um estabelecimento. Além desse, o mais recente caso foi o do trabalhador João Alberto Freitas, 40 anos, que foi brutalmente assassinado pelos seguranças de empresa privada responsável pelo monitoramento do Hipermercado Carrefour, em Porto Alegre, ambos os casos geraram grande revolta nos diversos estados do Brasil e a mídia diante disso deslegitimou os atos e as forças policiais do estado repreenderam os manifestantes violentamente com armas letais.

Segundo dados do IBGE, em 2018, 75,7% das mortes por homicídio foram de pessoas negras, a cada 23 minutos um jovem negro morre no Brasil e isso ocorre principalmente em detrimento de uma herança pós-colonial, que nos imprime um arquétipo de sociedade que reforça ano após ano a exploração sobre os corpos negros, legitimando principalmente a brutalidade em cima desses corpos, tendo sempre esses como alvos.

Nesse sentido, diante de todo esse contexto exposto em relação ao ocorrido na empresa localizada em Chapecó, nota-se a semelhança com as diversas outras agressões causadas em detrimento de uma sociedade que cumpre com a função racista e capitalista, colocando a punição como a principal linguagem diante desses corpos, onde mais uma vez vimos a carência da repercussão da mídia tornando casos como esses isolado. É indispensável que ocorra a mudança na lógica da raiz do problema que reflete nesses acontecimentos e fazem com que eles se repitam e sejam tomados como algo normalizado ou como algo “fora do procedimento padrão”.

A Brasil Foods e Empresa de Segurança G4S Brasil, ainda não emitiram nenhuma nota referente ao caso. Nesse último dia 15, os sindicalistas da região se manifestaram em prol e defesa do trabalhador.

Nós da UJC achamos necessário que essa lógica social violenta, advinda do sistema capitalista seja derrubada para que isso pare de ocorrer, do contrário seguirão surgindo novos casos como os relatados e tantos outros que não serão noticiados.

O motivo da agressão é o trabalhador não assinar um papel mentindo sobre um caso que não ocorreu e ser espancado por esse motivo, com a desculpa de estar sendo disciplinado, o que seria isso, senão racismo? Moisés deve ser exonerado do seu cargo! Exigimos Justiça! Não vamos nos calar!

Além disso, chamamos atenção para o fato que, os próprios agredidos nessas situações, geralmente não tem coragem de denunciar o fato por medo de perder o emprego que está escasso no país: Dessa forma, manifestamos nossa intenção de apoio e solidariedade ao trabalhador Djimy Cosmeus e todas as outras vítimas do sistema capitalista!

Referências: https://www.brasildefato.com.br/2021/07/15/fui-asfixiado-nao-conseguia-respirar-denuncia-haitiano-agredido-em-fabrica-da-brasil-foodshttps://pcb.org.br/portal2/27415/capitalismo-racismo-e-violencia-policial/https://pcb.org.br/portal2/25693/o-racismo-vem-no-pacote-do-capitalismo/https://www.facebook.com/watch/?v=371155537489494 – PCB, UJC e Coletivo Negro Minervino de Oliveira em Porto Alegre em Frente ao Carrefour em protesto ao assassinato racista de Beto. SEM JUSTIÇA SEM PAZ!https://www.instagram.com/p/CH3lrV8pEZ_/ – Coletivo Negro Minervino de Oliveira. ‘’A carne mais barata do Carrefour é a carne negra’’.