
Não sucumbiremos ao desmonte da educação pública e aos ataques da extrema-direita: todo apoio à greve da UERJ!
A crise enfrentada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro não surgiu do nada. Ela é resultado de um processo contínuo de desvalorização da educação pública no estado, que vem se aprofundando nos últimos anos. A greve aparece, nesse cenário, como uma resposta necessária diante do acúmulo de perdas salariais, do não cumprimento de acordos por parte do governo e de um orçamento cada vez mais insuficiente para manter a universidade funcionando e avançando.
O que acontece na UERJ está diretamente ligado à conjuntura do estado do Rio de Janeiro. O governo de Cláudio Castro chegou a um nível crítico de desgaste político e institucional após o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral, que cassou sua chapa e o tornou inelegível por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. O caso do CEPERJ foi central nesse processo: recursos públicos foram espalhados por meio de contratações massivas e sem transparência, num esquema que acabou favorecendo diretamente sua campanha.
Isso revela uma contradição difícil de ignorar. Enquanto há dinheiro circulando em esquemas dessa dimensão, o governo insiste no discurso de austeridade para justificar cortes na educação. Ao mesmo tempo, o estado segue destinando mais de R$ 10 bilhões por ano para a segurança pública, muitas vezes mais do que para a própria educação, reforçando um modelo baseado no confronto. Esse modelo não resolve os problemas estruturais da violência e, na prática, se traduz em operações letais e no aprofundamento de uma política que atinge, sobretudo, a juventude negra e favelada. É a partir dessa política de morte que a extrema-direita projeta, articula e movimenta sua base eleitoral visando cargos públicos nos estados e municípios.
Junto a isso, cresce também uma tentativa de deslegitimar a universidade pública. Setores da extrema-direita insistem em espalhar a ideia de que a universidade é espaço de “improdutividade” ou “vagabundagem”, ignorando completamente sua importância para a produção de conhecimento e ciência para a sociedade. Não por acaso, em 2024, Cláudio Castro nomeou como secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação (pasta à qual a UERJ está vinculada) o deputado Dr. Serginho, o mesmo que, em 2021, apresentou um projeto de lei propondo a extinção da UERJ. Isso diz muito sobre o projeto de educação que está em curso no estado.
Dentro da universidade, tudo isso se materializa de forma concreta. Docentes e técnicos acumulam perdas salariais superiores a 30%, depois de anos sem recomposição e de sucessivos acordos descumpridos. Não é só uma questão de números, isso afeta diretamente as condições de trabalho e a própria qualidade do que a universidade consegue oferecer.
A situação é ainda mais dura para os trabalhadores terceirizados. Muitos estão há meses sem receber salário, mesmo sendo essenciais para o funcionamento do campus. É o nível mais brutal da precarização: trabalhar sem receber, sem garantia de direitos e sem sequer ter condições de fazer greve.
Para os estudantes, a crise aparece de outras formas, mas com o mesmo peso. Falta de políticas de permanência, cortes de bolsas e infraestrutura precarizada. Em 2024, isso explodiu na forma de uma greve de ocupação, após a adição de mais restrições à BAVS e o fim do auxílio-alimentação. A resposta foi repressão. Seguranças privados, patrimoniais e o Choque da Polícia Militar atuaram para acabar com a luta estudantil a mando da reitoria, que preferiu criminalizar os estudantes em vez de direcionar o enfrentamento ao Governo do Estado que estrangula o orçamento público.
Naquele momento, já estava evidente que não se tratava de um problema isolado de um setor. É uma crise que atravessa toda a universidade. Hoje, isso fica ainda mais claro. A recomposição salarial, a necessidade de mais orçamento, a luta pela permanência estudantil e pagamento imediato dos terceirizados não são pautas separadas, fazem parte do mesmo problema de sucateamento e precarização do trabalho.
A própria história da UERJ mostra que é na luta que conseguimos arrancar vitórias, por mais que às vezes sejam vitórias relativas. Durante o governo Pezão, em meio ao colapso do estado, com salários atrasados, bolsas suspensas e risco real de paralisação no funcionamento da universidade, foram as greves que garantiram conquistas importantes e impediram um desmonte ainda maior. Aquela experiência deixou uma lição: quando há mobilização, organização e unidade, é possível mudar a conjuntura.
Essa marca de resistência já faz parte da identidade da UERJ. Não é algo abstrato, é algo construído na prática, na necessidade de defender a universidade todos os dias. E é com esse acúmulo que chegaremos no presente para conquistar os avanços. Pois não se trata apenas de resistir, mas principalmente de avançar para enfim estruturar uma universidade pública, gratuita, socialmente referenciada e verdadeiramente popular, que passa diretamente pela superação do projeto de educação atual para um projeto que vise, principalmente, a transformação estrutural radical da sociedade.
A greve que se constrói é expressão dessa disposição de não aceitar o desmonte como algo inevitável. É na unidade entre estudantes, técnicos e docentes que está a possibilidade de transformar indignação em conquista concreta e as demandas são claras: por recomposição salarial, por valorização profissional, por mais orçamento para a educação, por um Plano Estadual de Assistência Estudantil e pela implementação das cotas trans e das cotas docentes.
Todo apoio à greve da UERJ!
União da Juventude Comunista (UJC) – Núcleo UERJ
27 de março de 2026
Foto: Reprodução / Asduerj




