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Movimento por uma Escola Popular

Arte: @contra_capital_

O Movimento por uma Escola Popular (MEP) é uma organização nacional que reúne estudantes, professores, técnicos e trabalhadores da educação em torno de um projeto de escola vinculada aos interesses da classe trabalhadora, não do capital. Seu objetivo é justamente lutar por um novo modelo educativo que seja instrumento de transformação social e emancipação dos jovens. Acreditamos que a escola deve discutir os problemas da sociedade e estimular o pensamento crítico dos(as) filhos(as) da classe trabalhadora, para que compreendam quem são seus verdadeiros aliados e inimigos. Por isso, o MEP se organiza nacionalmente – por meio de grêmios estudantis, sindicatos e entidades como a UBES – para construir uma escola a serviço do povo, superando o ensino meramente voltado ao mercado.

O modelo atual de escola

Hoje a escola pública está profundamente mercantilizada e tecnocrática. Em vez de promover o conhecimento crítico, prepara trabalhadores “de amanhã tal como necessita o sistema”. Isso significa que ela reproduz desigualdades: algumas escolas são bonitas e bem equipadas para poucos, enquanto a maioria não recebe infraestrutura adequada. No currículo escolar, valem sobretudo as disciplinas úteis para entrar no mercado de trabalho precarizado – sobretudo após a implementação do Novo Ensino Médio –, e praticamente desaparecem conteúdos que provocam a reflexão sobre a sociedade. Em outras palavras, o modelo vigente não estimula o pensamento crítico nem a participação dos estudantes – ele reprime a organização estudantil e serve diretamente aos interesses do capital, formando mão de obra barata e despolitizada.

Ataques neoliberais à educação pública

A lógica privatista e neoliberal reforça ainda mais esse cenário. Nos últimos anos, governos trataram a escola pública como mercadoria, transferindo responsabilidades e verbas para o setor privado e impondo uma “lógica empresarial” no ensino. Isso se dá, por exemplo, na parceria público-privada (PPP): em estados como São Paulo e Paraná, dezenas de escolas foram entregues à gestão privada. Junto a isso, plataformas digitais privadas dominam o dia a dia escolar – o que chamamos de plataformização da educação. Nesse modelo, a escola vira um “laboratório tecnocrático”: professores chegam a ser substituídos por roteiros automatizados e o conteúdo fica pré-programado em softwares. Uma pesquisa do APP-Sindicato mostrou que 83% dos professores do Paraná não perceberam melhora no aprendizado com essas plataformas, enquanto governo investiu mais de R$ 53 milhões em licenças temporárias de software em vez de infraestrutura pública.

Arte: @contra_capital_

As consequências para a vida na escola são duras. Profissionais da educação vivem sobrecarga de trabalho, pressão por metas absurdas e até assédio moral, levando a grande adoecimento físico e mental. Por outro lado, muitos alunos sofrem com ansiedade e desmotivação: entediados com aulas repetitivas e sem autonomia, eles veem a escola se distanciar de suas vidas e de suas realidades. Até o currículo tem sido adulterado para uma falsa meritocracia: disciplinas como “Empreendedorismo” e “Projeto de Vida” transferem a culpa pelo fracasso para o próprio estudante, em vez de questionar o sistema. Além disso, sistemas de avaliação e ranqueamento – como a “Prova Paulista” ou metas regionais – impõem metas quantitativas, cobrando gestores e professores como se fossem robôs – e penalizando quem “não dá conta”. Essas metas destroem a cooperação entre educadores e aumentam o medo do fracasso individual.

O custo humano desses ataques fica evidente em tragédias recentes. No Paraná, a professora Silvaneide Monteiro sofreu um infarto durante uma reunião de cobrança de metas obrigatórias em uma escola militarizada. Sindicato e imprensa destacaram que ela morreu sob pressão de plataforma tecnológica: “ela morreu porque a educação foi plataformizada” e não atendeu às metas. Infelizmente, não foi caso isolado – outra professora também sofreu mal súbito dias depois. Estes episódios e os cerca de 8.888 professores afastados por problemas de saúde mental em 2024 demonstram o custo humano de um sistema que precariza a educação pública. Em suma, tratar a educação como mercadoria com métricas frias desestrutura vínculos coletivos, enfraquece o espírito crítico e alimenta o retrocesso.

Por uma Escola Popular

Diante desse cenário, propomos uma ruptura completa com o modelo capitalista de educação. A Escola Popular pela qual lutamos é totalmente pública, gratuita e laica, planejada para atender às necessidades do povo. Ela deve ser integral, oferecendo ensino politécnico e omnilateral, que inclua ciência, arte, esporte, música – não apenas aulas teóricas – para desenvolver todas as capacidades dos jovens. Em vez de competição e exames contínuos, uma Escola Popular promove solidariedade e cooperação. Todos os alunos devem ter acesso igualitário a laboratórios bem equipados, bibliotecas, quadras esportivas e tecnologias. Essa escola não separa “cabeça” de “braço”: valoriza igualmente artes e práticas manuais, reconhece todas as profissões e estimula o gosto pela pesquisa e criatividade.

Na Escola Popular, não há meritocracia nem seleções injustas – cada estudante permanece na escola pelo tempo necessário, apoiado com creches, moradia estudantil e alimentação, se preciso. Incorporamos a história e a cultura dos povos originários e afrobrasileira como elementos centrais do currículo, não como apêndices. Ela combate toda forma de opressão: é ambiente em que não se tolera racismo, machismo ou LGBTfobia, e constrói-se a consciência de classe desde cedo. O currículo é crítico e interdisciplinar, ampliando espaços democráticos de debate na escola. Toda a comunidade escolar participa da gestão: estudantes, famílias, professores e funcionários têm voz ativa nos conselhos escolares e processos decisórios. Em vez de a educação ser vista como um custo, fazemos dela condição de progresso social.

Escola Popular e luta socialista

A proposta de Escola Popular está diretamente conectada à luta por uma sociedade comunista. Como já afirmavam Marx e Engels, “o livre desenvolvimento de cada um condiciona o livre desenvolvimento de todos” – e isso só será realidade quando os meios de produção pertencerem a quem produz. No socialismo, a riqueza é coletiva e o Estado garante tudo o que estudantes e trabalhadores precisam para se desenvolver, desde moradia até acesso irrestrito ao conhecimento. Só nessa sociedade a escola poderá cumprir seu papel de forma plena: ao servir às necessidades do povo e não ao lucro, ela formará cidadãos conscientes, críticos e solidários. Para chegar lá é imprescindível a organização da classe trabalhadora. A Escola Popular só será conquistada por meio da luta coletiva. Por isso, o MEP e a UJC chamam estudantes e educadores a se unirem e lutarem juntos por essa transformação.

Junte-se à luta!

Não basta apenas criticar – é preciso agir. Agora é hora de nos organizarmos para fortalecer o MEP e construir essa nova escola. Cada grêmio estudantil, cada sindicato, cada comitê de base pode abrir caminho para a Escola Popular. Se você é estudante, professor(a) ou trabalhador(a) da educação e quer acabar com a deterioração das nossas escolas, organize-se na UJC. Lutar por uma Escola Popular é lutar por nosso futuro!

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