
Mais do que nunca, é tempo de cortar o mal pela raiz
Nos últimos tempos, temos lidado com uma conjuntura revoltante que, no mínimo, causa uma relativa apreensão, seja qual for a escala. Entre os eventos recentes, temos interferências e guerras guiadas pelo imperialismo, catástrofes climáticas, recorrência de episódios inadmissíveis de racismo e de violência de gênero, manifestações odiosas da extrema direita, tentativas constantes de desmonte neoliberal de políticas sociais, pressões à populações de imigrantes e refugiados legitimadas pelo Estado, continuidade de projetos de limpeza étnica, etc.
Na grande mídia, somos informados a todo momento das péssimas condições às quais estamos submetidos dia após dia. Ainda, como uma perversa tática jornalística – por parecer ser premeditada –, há quem queira nos apresentar tudo isso na forma de uma cínica normalidade. Na prática, vivemos uma distopia na qual se descobre que teremos um grande show depois de saber que a polícia assassinou dezenas em uma nova operação policial contra a dita guerra às drogas. Assistimos a uma previsão do tempo ou mesmo a um jogo de futebol manchado de sangue.
Embora o estado de coisas não seja confortável, aquilo que pode fazer com que algumas pessoas pensem em desistir se isolando em suas realidades imediatas ou em escapismos perigosos, é também capaz de contribuir para que outras percebam o quão decadente e insustentável tem se apresentado o modo de vida capitalista. Ao mesmo tempo em que testemunhamos, por exemplo, a ruína do império estadunidense, há inúmeros focos de resistência ou mesmo de insatisfação contra o que tentaram empurrar pela nossa goela como “civilização”.
Duas são as colocações que cabem aqui. A primeira delas é a de que a história se repete como farsa, enquanto a outra é a de que tempos onde o velho já morreu e o novo ainda não nasceu fazem surgir os tais monstros. Por aí afora, caricaturas de mau gosto daquilo que já existiu tentam atrair para si a capacidade de assegurar a acumulação capitalista, embora as crises sistêmicas não tardem a se repetir. E é nesse medonho arrebol que se coloca a maior das urgências.
Muitas vezes, é dito que o comunismo é a juventude do mundo. Assim, sobretudo cabe aos comunistas apresentar as alternativas possíveis – mas principalmente necessárias – ao que se estabeleceu até agora. A possibilidade reside no reconhecimento de que a história humana está sempre em movimento, o que permite as reais transformações de nossas condições. Já a necessidade está diretamente ligada ao fato de que não é mais aceitável que continuemos seguindo nossos dias esperando um novo pior acontecimento.
Até porque há quem também possa difundir seus programas políticos ainda mais adversos à classe trabalhadora. Afinal, desde sempre, a burguesia se preocupa em cuidar do ovo de sua serpente, que se nada fizermos pode chocar. Contra isso e contra o quadro de colapso global para o qual podemos caminhar, temos ainda o projeto de construção do Poder Popular, responsável por uma utopia concreta para a humanidade e todos os seres vivos, por uma realidade em que não existe qualquer exploração, opressão ou devastação.
É o poder do povo que construirá um mundo novo.
Por Victor Hugo Arona, militante da UJC no Rio de Janeiro
Pôster: Sergei Igumnov




