
Em memória da Revolução de Agosto do Vietnã
El derecho de vivir
Poeta Ho Chi Minh
Que golpea de Vietnam
A toda la humanidad
— Victor Jara
No dia 19 de agosto é comemorado no Vietnã o dia “não oficial” de vitória sobre o Japão, conhecido também como Revolução Geral de Agosto, ou simplesmente Revolução de Agosto. Nessa data é marcado o lançamento de uma ofensiva que daria à Viet Minh o controle do país, obtendo a maioria do território dentro de duas semanas, e decretando a independência do Vietnã em 2 de setembro de 1945, contra os impérios coloniais de França e Japão, que ocupavam a Indochina.
Fazendo parte do rol de lutas da II Guerra, a libertação do Vietnã parte de um reconhecimento de que o Japão estava derrotado e prestes a se render e é convocado então um levante, longamente preparado, para expulsar o ocupante e assumir a administração do país. Esse levante é chamado pela Viet Minh, a Liga pela Independência do Vietnã, composta por comunistas e nacionalistas, com o objetivo de abolir o regime colonial.
É importante destacar que a luta se dá na prática contra o regime colaboracionista do Império do Vietnã, com o imperador Bao Dai, o qual decide abdicar em 25 de agosto, quando a maior parte do país já está sob controle dos revolucionários. A França chega inclusive a tentar impedir a abdicação, enviando um contingente de soldados, capturados pelos vietnamitas ao pousarem, no edito da sua abdicação, Bao Dai afirma “preferir ser somente um cidadão de um país independente do que um governante fantoche de um país escravizado”.
Com a abdicação e passagem do governo aos comunistas, a Viet Minh, sob o comando de Ho Chi Minh tiveram que lidar com uma nova ocupação Ocidental do país, visto a divisão do Vietnã no paralelo 16 na Conferência de Potsdam, colocando o “norte” sob proteção China de Chiang Kai-shek e o “sul” sob o Comando do Sudeste Asiático, órgão do Império Britânico, ambos com a prerrogativa de evitar a recolonização francesa e garantir a desocupação após um primeiro período.
Ainda assim, com a violência do colonialismo francês, com saques, estupros e torturas, o governo revolucionário é enfraquecido e entra na mesa de negociação, conquistando um fraco reconhecimento da França sob sua soberania ao norte do paralelo 16. Entretanto, a França não tinha interesse em cumprir os acordos, e logo as relações se deterioram dando início a Primeira Guerra da Indochina, dando prosseguimento ao esforço revolucionário e independentista do Vietnã.
Disso seria um longo caminho para a independência do Vietnã, mas ela seria garantida pela inquebrantável vontade de luta dos comunistas vietnamitas e pelo profundo compromisso do povo com sua emancipação, que não só libertou o país das correntes do colonialismo, mas também espantou os tentáculos do imperialismo, iniciando a edificação do socialismo no país, em honra e memória de todos aqueles que deram suas vidas pela revolução do Vietnã, liberdade política, mas também econômica e social.
Por Guiherme Corona, militante da UJC na Bahia