
Basta de ataques racistas e islamofóbicos! Declarações contra os palestinos no Brasil se assemelham ao discurso supremacista da Ku Klux Klan
Observando os grandes veículos da imprensa brasileira, parece que a pauta palestina foi novamente colocada em segundo plano. Um cessar-fogo seguido de um incerto “conselho de paz” composto por representantes do imperialismo no mundo, é o suficiente para que declarem que um novo capítulo se inicia. Porém, para nós comunistas, entendemos que a paz está longe do horizonte. Nossa prioridade, mais do que nunca, é defender a vida e existência de nossos amigos, entes queridos e camaradas palestinos – seja na Palestina ocupada ou na diáspora.
A União da Juventude Comunista (UJC), juventude do PCB, vem por essa nota denunciar as renovadas agressões contra as vidas palestinas, suas comunidades, grupos de apoio e associações políticas, diante de novos ataques dos sionistas e seus apoiadores internacionais. Em uma acelerada conjuntura no Oriente Médio e mundo árabe, os representantes do imperialismo em nosso país não tardam para demonstrar sua verdadeira face.
Internacional
Na Palestina, que enfrenta uma das mais duras crises humanitárias da história da humanidade e com mais de 10 mil palestinos presos em cárcere sionista sem perspectiva de libertação, o ano se inicia com a invasão do campus da Universidade de Birzeit, na Cisjordânia, pelo Exército israelense. A invasão terminou com 5 estudantes baleados e 40 intoxicados com gás lacrimogênio na tentativa de dispersar uma manifestação de apoio aos prisioneiros políticos palestinos.
Em 21 de janeiro, uma nova rodada de designações é lançada pelo governo dos EUA contra caridades em Gaza, além de associações de apoio a prisioneiros palestinos, classificando essas organizações legalmente como entidades terroristas. Dentro das sanções também esta incluído a Conferência Popular Para Palestinos no Exterior (PCPA), principal organizadora da Flotilha Global Sumud.
Poucos dias depois, em uma impressionante demonstração de cooperação internacional, no dia 24 de Janeiro, o governo sionista de Meloni na Itália prendeu dezenas de membros da comunidade palestina retroativamente por terem doado a essas caridades em uma época em que sequer eram proscritas legalmente.
Cenário Nacional
No Brasil, as declarações antipalestinas chegam a se assemelhar à retorica do Ku Klux Klan – organização supremacista branca com histórica atuação nos EUA. Se destacam as declarações do Professor da UFRJ, Mauro Márcio de Paula Rosa, em vídeo divulgado no seu perfil nas redes sociais. No vídeo, denuncia uma suposta “jihad demográfica” que seria concretizada por uma conspiração de mulheres muçulmanas que estão migrando em massa para dar a luz no Brasil, no qual seus filhos pelo, principio do jus solis, gozariam da cidadania brasileira. Essas mulheres, que segundo o emissor “odeiam os judeus e o cristianismo”, retornariam adultos para destruir a fé cristã, os judeus brasileiros, e causar a destruição de comunidades brancas judaico-cristãs em uma “shariaa civilizacional”.
No mesmo vídeo, ele acusa membros da Flotilha Global Sumud (como o escritor palestino-brasileiro Mohammed Kadri), a cineasta palestina Rawa Alsagheer e a escritora palestina Soraya Misleh de incentivarem essa suposta campanha de extermínio através de sua militância politica. Tambem é exposto o espaço cultural palestino Al Janiah.
Replicam-se os mesmos argumentos da figura do ex-soldado israelense e representante do grupo sionista Stand With Us, Andre Lajst, que sustenta a tese da perseguição sistemática dos cristãos no Oriente Médio em debate de podcast de janeiro desse ano, e em entrevista de 2023, declara abertamente que existem milhões de muçulmanos “extremistas” prontos para tomar armas e invadir a “civilização ocidental branca”.
Deve-se notar que em 2026, pela primeira vez na América Latina, será realizado em São Paulo a Conferencia do Masar Badil – Movimento Caminho Palestino Revolucionário Alternativo. Nesse viés, esses ataques se inserem dentro de uma conjuntura maior de perseguição aos movimentos palestinos organizados, almejando criminalizar a solidariedade a Palestina e a busca por justiça dessa comunidade diante do genocídio em Gaza.
Basta de racismo e islamofobia!
Não é de hoje que o imperialismo, sionismo e seus representantes utilizam de suas plataformas para disseminar mentiras que corroborem com sua narrativa. Porém, hoje observamos essa reprodução em níveis estratosféricos com o uso das redes sociais e as políticas destas plataformas de incentivar a ampliação deste discurso.
Por esta razão, temos um papel histórico de destruir essa narrativa e ter o trabalho sério de apresentar as relações assimétricas que construíram e constroem o mundo que hoje vivemos. O sonho da paz não será conquistado com declarações espúrias e acordos coloniais de reconstrução de Gaza. Mais do que nunca, precisamos fortalecer o movimento de solidariedade à Palestina no Brasil.
Defender a comunidade palestina, sua cultura, memória, e sua luta histórica é a ordem do dia!
Fortalecer comitês de solidariedade ao povo palestino, associações culturais, proteger igrejas, mesquitas, templos religiosos e seus espaços de acolhimento e de luta politica são prioridades contra aqueles que propõem uma verdadeira guerra de raças.
Nenhum passo atrás no combate ao sionismo, ao ódio contra os palestinos, e às politicas coloniais e imperialistas que promovem a miséria, limpeza étnica e extermínio dos povos originários e ancestrais do mundo.
Toda solidariedade a comunidade palestina no Brasil!
Por uma Palestina livre, soberana, multiétnica, laica e socialista, do Rio Jordão ao Mar Mediterrâneo!
Comissão de Assuntos e Relações internacionais da UJC
5 de fevereiro de 2026
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil



