
No estado de São Paulo, o ano começou repetindo um roteiro já conhecido pelo povo trabalhador: tarifa mais cara, transporte pior e um fluxo constante de dinheiro público garantindo o lucro das empresas do setor. Entre as 39 cidades da Região Metropolitana, 12 já anunciaram reajuste da tarifa dos transportes — ônibus, trem e metrô. Ao final do texto, mostraremos a lista das cidades afetadas e os valores atualizados.
Quando o assunto é transporte, o discurso de “equilíbrio financeiro” e “necessidade de reajuste”, repetido por Tarcísio e pelos prefeitos dos municípios do estado, serve para esconder um esquema de repasses absurdos que garantem privilégios aos capitalistas do setor. O transporte em São Paulo funciona como um grande mecanismo de transferência de dinheiro público para empresas privadas.
O dinheiro pago pelo povo nas catracas, somado aos recursos do orçamento do Estado e da Prefeitura, é organizado de forma a garantir, antes de tudo, a rentabilidade das empresas privadas. Além dos subsídios bilionários, tanto nos sistemas municipais quanto no estadual, os contratos são desenhados para protegê-las de qualquer risco ou diminuição de sua taxa de lucro. Se o número de passageiros cai, se os custos aumentam (mão de obra e manutenções) ou se o serviço piora, isso não afeta o lucro empresarial. O prejuízo é automaticamente empurrado para o poder público, que têm o dever contratual de cobrir a diferença com mais repasses, reajustes tarifários ou “compensações” pagas com impostos.
As empresas privadas, como a Motiva (antigo grupo CCR), têm prioridade na divisão dos recursos, enquanto as operadoras públicas (SPTrans, CPTM e Metrô) ficam com o que sobra e depois precisam ser socorridas pelo próprio Estado para não quebrarem. Ou seja, nesse modelo de transporte, o Estado assume os custos, os riscos e as perdas, enquanto o capital privado fica com a parte segura, previsível e lucrativa do sistema.
O povo paga duas vezes: na tarifa e nos impostos. Já os empresários não pagam nada — só recebem. Esse é o verdadeiro assalto ao fundo público travestido de “gestão”, “eficiência” e “parceria”. Para a classe trabalhadora e sua juventude, o resultado desse modelo é sempre desastroso. Nós saímos perdendo em tudo. Pagamos mais caro na passagem e ainda bancamos o sistema com impostos, enquanto as empresas, por sua vez, nunca fecham no vermelho e não melhoram o serviço. Perdemos tempo em ônibus lotados, chegamos atrasados ao trabalho, à escola e aos compromissos. Pagamos tudo isso com nossa saúde mental e física e com o dinheiro que deveria ir para saúde, educação e moradia.
É preciso deixar claro que essa tarifa só existe porque o transporte foi entregue às empresas privadas. Se o sistema fosse completamente estatal, planejado para atender às necessidades do povo e administrado por ele, não haveria catraca nem barões do transporte enriquecendo às nossas custas. Por isso, defendemos a estatização do sistema de transportes, o passe livre para todos e o controle popular sobre a operação e o planejamento do sistema, para atender às necessidades do povo, e não ao lucro privado.
Diante disso, trabalhadores, estudantes, desempregados e todo o povo precisam se organizar e lutar contra o aumento da passagem e contra esse modelo injusto. É preciso, sobretudo, lutar por uma revolução socialista, que conquiste o poder político para o povo e realize as transformações que de fato vão melhorar nossas vidas.
PASSE LIVRE JÁ!
POR UM TRANSPORTE GRATUITO, ESTATAL E CONTROLADO PELO POVO!
CONTRA AS PRIVATIZAÇÕES!
PELO SOCIALISMO E O PODER POPULAR!
Coordenação Estadual da UJC em São Paulo
18 de janeiro de 2026
Foto: Léu Britto / Agência Mural
Confira abaixo os novos valores das tarifas dos ônibus das cidades da Região Metropolitana
- Metrô e trem: de R$5,20 para R$5,40;
- São Paulo: de R$ 5 para R$ R$ 5,30;
- Guarulhos: de R$ 5,30 em dinheiro e R$ 5,10 no Cartão Cidadão para R$ 6,20;
- Itaquaquecetuba: de R$ 5,80 em cartão e R$ R$ 6 em dinheiro para R$ 6 no cartão e R$ 6,30 no dinheiro;
- Ribeirão Pires: de R$ 5,40 no cartão e R$ 6 em dinheiro para R$ 5,70 no cartão e R$ 6,40 no dinheiro;
- Arujá: de R$ 5,50 para R$ 6;
- Barueri: de R$ 5,80 para R$ 6,10;
- Carapicuíba: de R$ 5,80 para R$ 6,10 ;
- Itapevi: de R$ 5,80 para R$ 6,10;
- Jandira: de R$ 5,80 para R$ 6,10;
- Mauá: de R$ 4,60 no cartão e R$ 5,50 em dinheiro para R$ 4,90 no cartão e R$ 5,90 em dinheiro;
- Osasco: de R$ 5,80 para R$ 6,10;
- Rio Grande da Serra: de R$ 5 para R$ 5,50.




