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A Reitoria da UFSC mente: Ensino Remoto é evasão, precarização e privatização!

A Reitoria da UFSC mente: Ensino Remoto é evasão, precarização e privatização!

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No dia 09 de junho, o site “Notícias UFSC” publicou texto em que a reitoria da universidade realiza um balanço do ano letivo de 2020, que aconteceu de forma remota, e levanta pontos a se pensar para o ano de 2021, que também será remota. No dia 17, o perfil do instagram @universidadeufsc, o oficial da nossa universidade, veiculou uma publicação em que sintetiza alguns dos pontos abordados nesse balanço institucional. Essa postagem teve uma grande repercussão entre a comunidade acadêmica, e atingiu milhares de pessoas com uma mensagem que diz o período de ensino remoto foi positivo para a UFSC.

Mas essa mensagem da reitoria é uma mentira. Só se pode chegar a conclusão de que esse ano em que passamos com o ensino remoto foi positivo se ignorarmos os fatos, silenciarmos as vozes dos estudantes que têm vivido o Ensino Remoto na pele e maquiarmos os dados e as estatísticas oficiais para sair bem nas redes sociais. A intenção do presente texto é repetir, e vamos repetir quantas vezes forem necessárias, que o Ensino Remoto não é positivo, é uma forma de organização das atividades acadêmicas que destrói a possibilidade de se existir ensino, pesquisa e extensão de verdade, comprometidas com a compreensão e a transformação da realidade e à serviço da classe trabalhadora do nosso país.

O primeiro dado trazido pela publicação diz que houveram 65% menos trancamentos de matrículas nos dois semestres letivos de 2020, em comparação com os semestres de 2019. Simplesmente não se leva em conta que existe a ZZD2020, disciplina coringa que permite aos estudantes sem condições de realizar as atividades de forma remota “paralisar” os estudos acadêmicos sem prejuízos de vínculos com a instituição. Trazer apenas os dados dos trancamentos é esconder os 6618 estudantes que estavam matriculados na ZZD no semestre 2020.2, o que se somados aos 2715 estudantes trancados, somam-se quase 10 mil estudantes que não podem estar estudando durante o ensino remoto. Num universo de cerca de 29 mil estudantes matriculados na graduação da UFSC, nos aproximamos de quase um terço de evasão. E ainda assim, o foco da reitoria é em afirmar a redução dos trancamentos, ignorando que na realidade houve um aumento assustador do número de estudantes afastados da universidade.

Em um contexto de crise econômica agravada pela crise sanitária e sua gestão a favor do morticínio e do genocídio, num país que vive sob a égide do neoliberalismo, em que o Teto de Gastos vem realizando a sabotagem do SUS e da Educação Pública (aqui incluso o orçamento para Assistência Estudantil) brasileira há anos, em que o desemprego atinge a taxa de 14%, em que a inflação mina a possibilidade de acesso à bens básicos como alimentos, gás de cozinha e gasolina, como ler os dados que dizem que os estudantes estão se afastando da universidade ao longo da pandemia?

Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a taxa de desemprego de jovens entre 19 e 29 anos chegou a 23% no 2º trimestre de 2020, um crescimento de 4 pontos percentuais em relação a 2019[2]. As mais atingidas por esse crescimento são as mulheres negras; as desigualdades no acesso ao trabalho tem se agudizado ao longo de toda a pandemia[3]. O aumento do custo de vida causado pela inflação atinge mais fortemente a população mais pobre[4]. Esses dados revelam um cenário de crescente desemprego ao mesmo tempo em que o custo de vida sobe. Numa universidade em que milhares dos seus estudantes são oriundos de escola pública, possuem renda familiar inferior a 2 salários mínimos e são de raça ou etnia não-branca, é impossível menosprezar o impacto desse contexto.

Soma-se a isso a capacidade reduzida da universidade e do sistema universitário brasileiro de lidar com essa situação, uma vez que o orçamento vem sendo reduzido continuamente e os repasses para políticas de assistência e permanência estudantil são os mais afetados por essa tendência. Os “avanços” na oferta de bolsas institucionais e no pagamento de auxílios emergenciais acontecem simultaneamente a um retrocesso violento na garantia da permanência estudantil na universidade. Nesse sentido, podemos mesmo falar de “avanços”?

A publicação e a notícia da reitoria estão recheadas de um cinismo que trabalha a favor de interesses que buscam a desestruturação da Universidade Pública brasileira. Por meio da elipse das lutas de classes e das desigualdades pulsantes no seio da universidade, afirma o ensino remoto como “positivo” para aprofundar o processo desejado de “eadização” do ensino, que nada mais do que a generalização da lógica tecnicista de formação para toda a nossa UFSC. A reitoria já publicizou que seus planos para os cursos de graduação da UFSC envolvem uma ampliação da realização de disciplinas (e cursos inteiros) à distância, mesmo nos cursos presenciais. O “compromisso” com a “universidade” e com a “ciência” só existe na medida em que essa universidade e essa ciência possam servir plenamente aos interesses das classes dominantes.

É preciso, em contrapartida, reafirmar o combate ao ensino remoto e a seu legado na universidade: o ensino híbrido, a evasão e a ampliação do EaD nos cursos até então presenciais. É preciso combater as tendências tecnicistas na educação, que objetivam o esvaziamento do caráter socialmente comprometido da escola e da universidade, e defender o projeto de uma Universidade Popular, que se coloca do lado da classe trabalhadora e dos grupos oprimidos brasileiros, que produza ciência em conexão com as necessidades do povo, que realize um ensino comprometido com a emancipação e a formação integral dos sujeitos e que efetive uma extensão verdadeiramente popular, conectada do início ao fim com as comunidades e as necessidades da população.

NÃO AO ENSINO REMOTO E AO ENSINO HÍBRIDO!

BASTA DE EVASÃO: MAIS ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL PARA JÁ!

CONTRA OS CORTES NA EDUCAÇÃO, NAS UNIVERSIDADES E INSTITUTOS FEDERAIS!

PELA DESTINAÇÃO DE 10% DO PIB NA EDUCAÇÃO!

LUTAR, CRIAR, UNIVERSIDADE POPULAR!

[1] DCE Luís Travassos: https://www.instagram.com/p/COyy8kQHwZh/[2] Fonte: https://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/mercadodetrabalho/210512_bmt_71_nota_tecnica_a3.pdf[3] Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2021/05/falta-de-trabalho-e-estudo-afeta-mais-mulheres-negros-e-chefes-de-familia.shtml[4] Fonte: https://thetricontinental.org/pt-pt/brasil/42858/