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A Farsa da Abolição: houve rebeldia na luta pela liberdade!
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A Farsa da Abolição: houve rebeldia na luta pela liberdade!

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É recorrente na história do Brasil que certos eventos históricos sejam representados de acordo com a visão de uma historiografia de caráter burguês e eurocêntrico. É assim que se apresenta o 13 de maio, com a representação do ato da abolição como um momentâneo romantismo de uma princesa jovem, ligado ao movimento de uma parcela da classe dominante que via na abolição da escravidão um avanço para a consolidação dos seus interesses de classe. Atribui-se ainda, como dos fatores principais para a abolição, a pressão externa que recebia o Brasil pela liberalização de sua mão de obra e abertura de mercado para as potenciais capitalistas europeias.

Dentre todas as narrativas apresentadas para os fatores principais da abolição da escravidão, nenhuma é motivada de fato pela libertação do povo negro. Sua história de auto-emancipação é ocultada dentro da historiografia burguesa. Não entram na equação da abolição as diversas revoltas dos negros nas senzalas, processos organizados de fuga, ações diretas e processos de formação de quilombos que colocaram em decadência a escravidão na medida em que a tornavam inviáveis economicamente.

Apesar do destaque que o povo negro teve dentro do processo de luta por sua própria liberdade, o processo de abolição se coloca como uma farsa não só no sentido de sua reescrita histórica, mas também no modo como se culminou o processo. Com a instabilidade do regime escravista acelerado pelas revoltas negras, todo o processo foi comandado pelo Estado junto de suas elites brancas. Houve sim a abolição da escravidão, mas junto com ela se deu a exclusão sistemática dos negros de processos que teriam como síntese a formação da classe trabalhadora brasileira.

O brutal processo de marginalização pelo qual passou o povo negro agora livre, sem oportunidades de empregos formais assalariados, concedidos aos imigrantes europeus, relegou o povo negro às mais precárias condições de vida e trabalho, fomentando movimentos negros que buscassem a devida inserção do povo negro na jovem democracia burguesa brasileira.

A farsa do 13 de maio é contraposta pelo movimentos negros, que se radicalizam nas décadas de 1970 e 1980, pelo 20 de novembro, que faz referência a morte de Zumbi, liderança do Quilombo dos Palmares e remonta à história de luta e organização do povo negro e tem como significado a apropriação por parte do movimento das táticas de luta e organização e de todo o acúmulo prático que teve em suas mais diversas fases.

Os processos de radicalização que tiveram como expressão prática de organização o Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação RACIAL(MNUDR), atual Movimento Negro Unificado (MNU), levaram a uma unidade de ação com setores do movimento sindical, com grande expressão da CUT, que culminariam em diversas alianças ao longo da década de 90 e dos anos 2000, período em que grandes lideranças do movimento negro voltaram suas estratégias de atuação para o âmbito institucional, apassivando os movimentos de organização da população negra e conquistando alguns avanços nesse campo, porém sem qualquer participação popular no processo de formulação e aplicação das políticas conquistadas.

Atualmente, após a reorganização da burguesia nacional e o rompimento do pacto de conciliação de classes, muitos dos direitos conquistados nesse período foram revogados sem grande resistência popular, reafirmando a tarefa histórica dos militantes, coletivos e organizações populares de construir um movimento negro forte e capaz de pautar as demandas das classes populares e ditar os rumos do Brasil.

É fundamental a organização da juventude no sentido de construir um movimento negro que trabalhe pela real emancipação do povo negro, sem ilusões com a institucionalidade burguesa e que busque, através das mediações táticas necessárias, a garantia do presente e a superação da sociedade de classes.