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239 anos do assassinato de Tupac Amaru II
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239 anos do assassinato de Tupac Amaru II

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239 anos atrás, Tupac Amaru II era executado pela realeza espanhola por organizar um movimento de libertação das Américas do colonialismo. Cruelmente assassinado, seus esforços não seriam em vão: seu movimento inspirou diversas lutas por libertação no continente, culminando na Guerra de Independência do Peru, algumas décadas mais tarde.

Desde a invasão das Américas e até a sua libertação, a população originária do Peru – à época reconhecido como Vice-Reino do Peru, pela Espanha – foi submetida à dominação dos espanhóis através de trabalhos forçados, pagamento de impostos e outras táticas de expropriação das riquezas do novo mundo pela Europa. Os corregedores, indicados pelo reino espanhol, garantiam a exploração mesmo daqueles considerados “livres”, não sujeitos às encomiendas, principal forma de exploração forçada do trabalho nativo. 

Tupac Amaru, originalmente chamado José Gabriel Condorcanqui Noguera, era descendente de lideranças indígenas que haviam mantido o controle sobre seu povo mesmo após a invasão espanhola, trabalhando em conjunto com os colonizadores em troca da manutenção do poder político. Por sua raiz nobre, conseguiu estudar nas escolas dedicadas às elites e teve contato com as altas castas indígenas e espanholas do continente.

Quando assume o governo de seus territórios, Tupac Amaru se solidariza com a condição dos nativos, e tenta amenizar seus suplícios com recursos pessoais e condições mais brandas de trabalho enquanto procura negociar com a coroa espanhola melhorias na vida da população. Sem sucesso, passa a atrasar ou recusar pagamentos de impostos ao corregedor, que o ameaça de morte. É então que, inspirado pelo conto heróico “Comentários Reais dos Incas” – que conta a história do povo inca desde antes da colonização – decide assumir o nome Tupac Amaru II, em homenagem ao último inca Tupac Amaru, e começa a organizar uma rebelião anticolonial.

Após reunir aliados, Amaru se aproveita da sua posição como nobreza indígena e, depois de um banquete, captura o corregedor que o ameaçou de morte e o força a escrever uma série de cartas para pessoas em posição de governo no continente, convocando-os para uma reunião. Quando os convidados chegam ao local, são tomados de assalto por mais de 4000 nativos, e o corregedor é executado.

A revolta se espalha pelo continente. Decorrente das condições humilhantes impostas aos trabalhadores indígenas, o movimento logo toma um caráter inédito de luta não apenas contra o domínio espanhol, mas rejeitando a própria dominação econômica e de castas, reivindicando uma organização da sociedade indígena e em torno da produção agrícola comunal, com as mulheres também ocupando posições de liderança nas movimentações.

O movimento conquista uma série de importantes vitórias militares, e passa a ameaçar concretamente o domínio espanhol do território. A coroa espanhola então reforça seus empenhos na perseguição dos rebeldes – que já contavam com mais de 60.000 pessoas -, e captura Tupac Amaru II, a partir da traição por dois de seus homens. Capturado, o líder é julgado e sentenciado à morte e, após assistir à execução de sua esposa, parentes e companheiros de luta, é brutalmente assassinado em praça pública pelos colonizadores.

Seu legado, no entanto, não foi esquecido. Apesar do recrudescimento da perseguição aos indígenas e rebeldes pelos espanhóis, a inspiração trazida pelo movimento de Tupac Amaru II daria origem a uma série de levantes contra a dominação dos europeus, e a Guerra de Independência do Peru o trazia como símbolo máximo da luta anticolonial. O líder indígena seria posteriormente homenageado ao nomear o rapper Tupac, descendente de panteras negras e comprometido com as lutas anticapitalistas nos EUA.