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UJC PRESENTE NA 18ª ASSEMBLEIA GERAL DA FMJD EM PORTUGAL
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UJC PRESENTE NA 18ª ASSEMBLEIA GERAL DA FMJD EM PORTUGAL

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Documento a 18ª Assembléia Geral da Federação Mundial das Juventudes Democráticas (FMJD)

Entre os dias 8 a 12 de novembro se realizará em Lisboa/Portugal a XVIII Assembleia Geral da FMJD. A União da Juventude Comunista, fazendo jus a sua história internacionalista, anticapitalista e anti-imperialista estará presente neste importante evento.

Entre os dias 8 a 12 de novembro se realizará em Lisboa/Portugal a XVIII Assembleia Geral da FMJD. A União da Juventude Comunista, fazendo jus a sua história internacionalista, anticapitalista e anti-imperialista estará presente neste importante evento a partir do qual se estabelecerão as principais bandeiras e ações de luta e unidade das juventudes democráticas e progressistas de todo o mundo. Os camarada Heitor Oliveira e Mariângela Marques, representando a Secretaria Nacional de Juventude do PCB e a Coordenação Nacional da UJC, respectivamente, são os delegados que levarão a voz dos e das jovens comunistas brasileiros/as contribuindo no fortalecimento da FMJD, entidade da qual a UJC é membro-fundador.

UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA UJC – BRASIL

Lisboa/Portugal 8 a 12 de novembro de 2011

FORTALECER O INTERNACIONALISMO E A SOLIDARIEDADE PARA DERROTAR O IMPERIALISMO EM TODAS SUAS FORMAS

A União da Juventude Comunista e o Partido Comunista Brasileiro saúdam todos/as delegados/as e organizações presentes à 18ª Assembléia Geral da FMJD. Em especial saudamos os camaradas da Juventude Comunista Portuguesa (JCP) pelos esforços em sediar um evento de tal importância em um momento histórico onde a luta de classes se aprofunda nos quatro cantos do mundo.

Desde sua fundação, no dia 1º de agosto de 1927, a UJC tem na solidariedade internacionalista e na luta pelo Comunismo as bases que sustentam nossa intervenção, dentro da Federação e em todos os fóruns internacionais em que participamos levantamos alto a bandeira da luta pelo comunismo, da luta antiimperialista e da solidariedade internacionalista. Como membro-fundador da FMJD, a UJC se orgulha em seguir construindo e fortalecendo a Federação em sua luta incessante por um modelo de sociedade justa, fraterna e igualitária. É com este espírito que participamos da 18ª Assembléia Geral, com o intuito de manter e aprofundar a identidade antiimperialista da Federação, fortalecendo agendas de luta comum entre as organizações, o intercâmbio e a solidariedade entre povos, e principalmente fomentando a necessidade imperativa de aprofundar a luta contra o Capitalismo e o Imperialismo, no sentido de sua superação por uma sociedade que contemple os objetivos pelos quais luta a Federação, que em nosso entendimento só podem se realizar plenamente em outro modelo de organização econômica, política, cultural e social, a sociedade Socialista.

OUSAR LUTAR CONTRA A CRISE CAPITALISTA E SEUS EFEITOS

A crise é de todo o sistema capitalista, muito mais profunda do que a simples oscilação das bolsas de valores permitem enxergar. O capitalismo é um sistema em que a produção da riqueza é coletiva e a apropriação é privada, cada vez mais concentrada e, diante da concorrência em mercados livres, os capitais competem por taxas de apropriação da riqueza cada vez mais elevadas. Ocorre que o capital não se reproduz sozinho. É o trabalho produtivo, humano e desempenhado no processo de produção de mercadorias que produz a riqueza. Quanto mais se concentra o capital e se esmaga o trabalho, menos valor novo é produzido, provocando crises de acumulação que podem ser cíclicas, quando há possibilidades de retomada dos investimentos produtivos e novos ciclos de emprego e produção de valor, ou pode chegar a um estágio em que as possibilidades de saída para a retomada da acumulação de capital encontram entraves que, para serem superados, levam à barbárie.

O que vemos hoje é a expressão de uma crise estrutural muito mais séria que qualquer crise cíclica anterior. É estrutural, pois possui um caráter universal. A crise não é reservada a um ramo específico da produção, ou estritamente financeira; e não envolve apenas um número específico de países; assumiu uma linha cronológica contínua e seqüencial, diferentemente dos períodos de crises cíclicas em que, após certo tempo, os capitalistas conseguiam superar suas contradições mais imediatas. Nesta conjuntura uma série de manifestações tem explodido em uma série de países do mundo. E tendo como protagonistas em grande parte jovens que vêem suas perspectivas de futuro sendo exterminadas por um sistema que só faz aumentar as desigualdades sociais.

Nos Estados Unidos, onde se originou a atual crise econômica, e centro do imperialismo mundial, a luta de classes se aprofunda e traz a tona os graves problemas sociais produzidos pelo capitalismo naquele país. A pobreza aumentou consideravelmente, e o ataque aos direitos dos trabalhadores tem sido a saída encontrada pelo governo de Obama no sentido de oxigenar uma economia em crise que aponta para saídas bélicas como uma forma de reativar seus lucros. O ataque a Líbia, a manutenção das tropas no Afeganistão, e a recente ameaça de uma guerra contra o Irã, são demonstrações das conseqüências que o aprofundamento da crise pode levar, o que deixa cada vez mais distante uma paz mundial. Porém, os jovens e os trabalhadores estadunidenses tem reagido através de grande mobilizações e ocupações de massa por todo o país, que mostram a verdadeira face da democracia estadunidense. A repressão e a prisão de vários manifestantes tem sido a resposta do Estado a esta onda de descontentamento que coloca em xeque os tão propalados valores de democracia e liberdade que nos Estados Unidos não passam de uma estátua.

Na Europa, os ajustes fiscais adotados pelos governos capitalistas, com cortes profundos em gastos sociais e em direitos dos trabalhadores, fizeram reacender a organização e a mobilização popular. Na Grécia, Espanha, Portugal, e Inglaterra, para citar alguns países, a luta de classe tem se intensificado. Os capitalistas, através do Estado, têm respondido com repressão e violência as lutas dos trabalhadores. É de fundamental importância o papel que a juventude tem desempenhado na radicalização do conflito, e na intensificação da luta contra o capital. O Imperialismo tem procurado saídas bélicas para reativar a economia capitalista, além de planejar o extermínio de qualquer resistência ao seu projeto de guerra e exploração. Papel que a OTAN cumpre fielmente.

As agressões que sofrem o povo Palestino, Iraquiano e Afegão são exemplares neste sentido. Irã e Coréia do Norte vêm sendo ameaçados constantemente em sua soberania e autodeterminação, podendo ser vitimas de ataques militares a qualquer momento. Condenamos os ataques e bombardeios aéreos que foram realizados na Líbia, que teve como principal alvo atacar civis daquele país. Somamos-nos a solidariedade e a resistência do povo líbio, aos ataques impetrados pela OTAN e por grupos armados pelo Imperialismo no sentido de recolonizar aquele país, preparando o terreno para saquear as suas riquezas.

Na América Latina tem crescido as tentativas de golpe contra os governos antiimperialistas do continente, como ocorreu na Venezuela, na Bolívia e no Equador. A militarização do continente latino-americano é uma realidade: a reativação da Quarta Frota; a ocupação militar no Haiti, capitaneada por tropas brasileiras, a mando do Imperialismo; o golpe militar em Honduras; o aprofundamento da política fascista do governo Colombiano, contra os lutadores e lutadoras sociais, que vem resistindo pacifica e militarmente, através da luta heróica dos camaradas das FARC-EP; a forte repressão sofrida pelos estudantes chilenos em sua luta por uma educação pública; além da continuidade do bloqueio criminoso a Cuba Socialista que segue resistindo heroicamente ao Império são alguns exemplos das tentativas de criminalizar as lutas e os movimentos sociais.

O continente vive hoje um cenário de agudização das lutas de classes. A crise tem seus impactos também nos países latino-americanos. As greves e mobilizações de trabalhadores e estudantes para garantir e avançar em seus direitos que vem sofrendo constantes ataques. As lutas têm sido desmobilizadas principalmente através de governos reformistas que pintam um discurso progressista, mas que só fazem aprofundar um modelo de dominação capitalista em seus países e no continente.

Um dos principais casos é o Brasil, onde o Governo Dilma segue a mesma cartilha de Lula, com políticas macroeconômicas que atendem prioritariamente aos interesses de banqueiros, grandes proprietários de terra e empresas nacionais e transnacionais. As greves e manifestações que tem se desenvolvido em todas as regiões do país tem sido contornadas através de políticas de redução de direitos e da repressão aos trabalhadores. A crise que se aprofunda no cenário mundial gera seus impactos no país. No biênio 2011-2012, a previsão é de que o corte em áreas sociais atinja o valor de R$ 60 bilhões, o equivalente ao PIB do Equador.

OUSAR VENCER O IMPERIALISMO EM TODAS AS SUAS FORMAS

No atual estágio do desenvolvimento da luta de classes aprofunda-se também a luta intra-imperialista, numa espécie de reacomodação geopolítica de forças. A hegemonia estadunidense está abalada, mas ainda muito longe de ser derrubada.

Porém, blocos e países como a União Européia, o BRICS, e o Japão, procuram ganhar terreno e influencia no processo de acumulação capitalista. Esta disputa, dentro dos marcos da ordem hegemônica, não resultará em um outro modelo de desenvolvimento econômico, político e social. Pelo contrário, só faz reforçar a lógica de dominação Imperialista que coloca modelos distintos, porém, não antagônicos de dominação.

Desta forma, não podemos cair em uma falsa luta antiimperialista, que ao denunciar o modelo hegemônico estadunidense, pode acabar por apontar para a União Européia, o BRIC ou o Japão como um modelo “alternativo”. Portanto, acreditamos que é preciso derrotar o Imperialismo em todas as suas formas e manifestações, desde a mais agressiva e bélica, até a mais sutil e cultural.

Além disso, os Estados imperialistas centrais precisam cada vez mais promover suas guerras contra países detentores de recursos naturais valiosos. A guerra imperialista atual deixou de ser uma ação coordenada pelos países centrais através da ONU, para assumir a forma de guerras de interesses particulares de cada país, numa federalização da ONU.

Os EUA atacam o Iraque e o Afeganistão, aliados a União Européia atacam a Líbia; a Rússia ataca as ex-repúblicas soviéticas, enquanto os demais países que compõem o BRICS ampliam seu leque de influencia no globo, utilizando-se de mecanismos econômicos para submeter aqueles países de economia mais fragilizada.

Mas a principal guerra que se vislumbra são as novas guerras civis dentro dos países, com os aparatos repressores dos Estados contra sua população trabalhadora e a redução das liberdades democráticas.

Essa nova ofensiva belicista e Imperialista, por sua vez, assume um caráter de redefinição da geopolítica de dominação de mercados e reservas por parte das grandes potências capitalistas, ao mesmo tempo em que cumpre o papel de fomento de uma vasta cadeia produtiva ligada à indústria bélica e à necessidade do controle ideológico das massas trabalhadoras, transferindo as tensões para inimigos fabricados pela mídia.

A chamada “Guerra ao Terror” tem servido, desde 11/09/2011, como instrumento de justificativa para o aumento de gastos com a indústria bélica e válvula de escape das tensões internas causadas pela crise capitalista.

Compreendemos que neste momento histórico que vivemos a Federação ao fortalecer seu caráter antiimperialista deve organizar a juventude mundial contra o Imperialismo em todas as suas manifestações, assim como para derrotar o Imperialismo é preciso fomentar a solidariedade a todas as formas de luta que tenham por seu objetivo a construção de uma sociedade de paz, fraterna, justa e igualitária.

POR UMA FMJD CADA VEZ MAIS AINTIMPERIALISTA: MOBILIZAR, UNIR E LUTAR!

O atual estágio do desenvolvimento capitalista internacional possibilitou como nunca uma articulação da burguesia em diversos blocos e alianças, multiplicando-se os acordos internacionais de cooperação ou até mesmo de solida união. Tal momento, onde o capitalismo, talvez pela primeira vez na história esteja plenamente hegemônico em todo mundo, nos coloca cada vez de forma mais clara a necessidade de agirmos como um articulado movimento de enfrentamento ao Imperialismo.

Nós da União da Juventude Comunista compreendemos que a luta hoje para de fato ser anti-imperialista necessita assumir o caráter anticapitalista. Pois não cabe ao proletariado nem a seus aliados históricos fortalecer esta ou aquela burguesia, este ou aquele bloco econômico (aliança entre burguesias). Não cabe aos comunistas escolherem qual Imperialismo deve apoiar, se é a União Européia, se é o Japão, se é o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), mas justamente combater todas as manifestações do imperialismo.

Falar hoje de luta antiimperialista é conduzir uma luta em defesa de Cuba Socialista, contra o Bloqueio e pela libertação dos 5 heróis; falar hoje em luta antiimperialista e defender o povo palestino, e constituição imediata do Estado Palestino, contra as ameaças e ataques do governo terrorista de Israel; falar em luta antiimperialista hoje é se solidarizar com as diferentes e legitimas formas de luta que se desenvolvem na Colômbia contra o Estado narcoterrorista de Santos; falar em luta antiimperialista hoje é denunciar a presença de tropas internacionais no Haiti legitimando um golpe de Estado; falar em luta antiimperialista hoje é denunciar o golpe criminoso que teve efeito em Honduras; falar em luta antiimperialista hoje é denunciar a escalada antidemocrática e anticomunista que se espalha pela Europa, e se solidarizar de forma militante aos Partidos e Juventudes Comunistas e Anti-imperialistas perseguidas em todo o mundo; falar em luta antiimperialista hoje, é necessariamente conduzir uma luta anticapitalista.

Compreendemos que uma clara luta de classes se desenvolve no mundo, e não compartilhamos dos que acreditam na possibilidade de saída das graves crises que o capitalismo conduziu a humanidade através da colaboração de classes, através da conciliação, mas somente através da construção no cotidiano, no conjunto os movimentos da alternativa Socialista.

Mais do que nunca se inscreve como insígnia da luta de classes a opção: Socialismo ou Barbárie, nos da União da Juventude Comunista escolhemos, somos, fomos e seremos comunistas e antiimperialistas.

Assim, compreendemos que a FMJD deve conduzir um conjunto de ações e mobilizações em todo o mundo de forma propositiva, organizando e unificando agendas de lutas internacionais e compartilhadas com as organizações membro da Federação e buscando, através da compreensão do atual estágio da luta de classes, que o movimento antiimperialista não deve se deixar seduzir por ilusões nacionais desenvolvimentistas, nacionais libertadoras, sociais chauvinistas, mas sim, que somente através da articulação da luta antiimperialista com a luta anticapitalista, podemos vislumbrar um futuro melhor para a juventude e para os trabalhadores.

Secretaria de Relações Internacionais

Coordenação Nacional da União da Juventude Comunista – UJC (Brasil)

Secretaria Nacional de Juventude – PCB