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Tese da UJC ao 53º Congresso da União Nacional de Estudantes (UNE)
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Tese da UJC ao 53º Congresso da União Nacional de Estudantes (UNE)

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Apresentação

Este manifesto é fruto das diversas experiências nas lutas cotidianas estudantis da União da Juventude Comunista e de estudantes que mesmo sem nenhum vínculo orgânico apoiam, criticam e constroem juntos um outro projeto de universidade e sociedade. Fundada em 1927, a UJC participou ativamente dos grandes debates e eventos de nossa história: dentre estes a própria fundação da UNE, a campanha “O Petróleo é Nosso”, a luta contra a ditadura civil-militar, a resistência ao neo liberalismo e suas consequências nefastas na educação,etc.

Hoje a UJC constrói o Movimento por uma Universidade Popular. Um movimento político na área da educação com perspectiva de criar uma alternativa educacional para além da lógica do capital, que impera hoje nas discussões apresentadas pela maior parte do M.E e na sociedade brasileira.

O documento em mãos analisa a atual conjuntura em que vivemos, assim como o papel da educação e do movimento estudantil na dinâmica da luta de classes. Aqui estão expressos muitos dos nossos princípios para traçarmos nossos objetivos com luta e uma proposição política. Não temos ilusões, para superar nossos problemas educacionais, que são estruturais, é apenas através da luta pela Revolução Socialista!

Conjuntura: A crise estrutural do capitalismo e a alternativa socialista!

Na Europa, na Ásia e nas Américas, particularmente nas duas últimas décadas, o capitalismo tem massacrado os trabalhadores e os estudantes com suas políticas neoliberais homogêneas e homogeneizantes. A fórmula universal do FMI, montada sobre a redução do tamanho do estado e sobre as políticas de ajuste fiscal, impõe como centro das políticas públicas dos governos as privatizações, a entrega dos recursos naturais de povos e nações em favor dos grandes interesses privados multinacionais, o desmonte dos serviços públicos, em especial da educação e sua mercantilização, e a obsessão constante de retirar direitos e precarizar a vida dos trabalhadores e da juventude. Esta é a situação mundial vivenciada da Grécia ao México, da Finlândia ao Brasil. Através dos mecanismos da dívida dos estados e de compromissos contratuais, o Banco Mundial eleva-se como a instância operacional para a implementação global das políticas elaboradas pelas agências do FMI.

A crise econômica mundial continua a fazer estragos em vários países, como resultado do regime de economia de mercado, o qual coloca em risco a sobrevivência da espécie humana, ao desprezar as necessidades básicas dos trabalhadores e da juventude, apenas para garantir a manutenção dos enormes lucros obtidos por bancos e grandes corporações capitalistas. O recrudescimento da crise internacional do capitalismo deverá encontrar no Brasil um governo não mais disposto a liberar crédito para aumentar o consumo (na verdade, uma política de endividamento crescente da população em favor do lucro dos bancos e da cooptação das camadas populares para a ilusória sensação de melhoria das condições de vida).

O Governo Dilma, desde suas primeiras ações, voltou a atender prioritariamente as vontades e necessidades dos grandes banqueiros e empresas nacionais e multinacionais, cortando cerca de R$ 50 bilhões no orçamento (atingindo, como sempre, as despesas com investimentos na área social), sendo que deste valor, o equivalente a R$ 3 bilhões deixou de ser aplicado na educação, e aumentou as taxas de juros, jogando nas costas dos trabalhadores e da juventude todo o peso dos efeitos do déficit promovido pelo governo.

O que não se cortou e, pelo que tudo indica não será cortado, são os gastos com o pagamento de juros da dívida brasileira. Para este ano, 42% do orçamento federal será destinado ao pagamento da dívida pública, deixando de lado, é claro, de investir grande parte do PIB na melhoria das condições de vida da população. Ainda que o governo insista em manter as aparências de um suposto crescimento econômico, ostentando o posto de sétima economia do mundo, o fato é que a desigualdade social aprofundou-se, e o Brasil ocupa hoje a 85ª posição no ranking mundial do IDH (Índice do Desenvolvimento Humano), além de permanecer na lista dos 10 países com maior índice de desigualdade social no mundo.

Lula deu continuidade à política macroeconômica da era FHC, aplicando apenas uma política compensatória mais agressiva. Dilma segue a cartilha de Lula, com a diferença de que põe ainda mais o pé no freio em relação aos gastos sociais, atendendo aos ditames do mercado mundial, em que a palavra de ordem é o ajuste fiscal, política esta que só faz rebaixar ainda mais a qualidade de vida dos trabalhadores e da juventude em todo o mundo para salvar os grandes capitalistas da crise criada por eles mesmos.

Os compromissos assumidos por Dilma desde o início de seu governo se agudizam cada vez mais. Os leilões do petróleo caminham a passos largos, inseridos dentro de um contexto de crescentes privatizações e precarização da vida. Agora, usando a desculpa de deixar o país a altura de sediar grandes eventos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, encabeça uma dura política de ataque aos pobres, comandando remoções de famílias de suas moradias, e acabando com direitos adquiridos pelo povo brasileiro através de muitas lutas, como no caso da privatização da saúde pública via Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, que passará a administração dos hospitais universitários para empresas privadas, tornando a Universidade Pública, de uma vez por todas, um verdadeiro balcão de negócios.

Nesse duro cenário, já aparecem as primeiras tentativas de resistência, com formações de espaços e instrumento de luta dos trabalhadores. No último período, diversas categorias entraram em greve, mostrando o descontentamento com as política implementadas pelo governo, assim como surgiram diversas manifestações sociais, seja contra o aumento do preço das tarifas de ônibus, pela moradia ou por melhores condições de trabalho. No que diz respeito ao ensino superior, a desestruturação da carreira docente, as péssimas condições de trabalho a que estão submetidos professores e servidores, o aumento das terceirizações, assim como salas de aulas lotadas, falta de professores, parca assistência estudantil, ausência de restaurantes universitários e instalações precárias foram os principais fatores responsáveis pela deflagração de uma das maiores greves dos últimos tempos.

Bandeiras de Luta:

– Contra a criminalização dos movimentos sociais;

– Contra as Políticas de socorro ao Capital através de dinheiro público por parte dos Estados;

– Por uma Petrobrás 100% estatal e sob controle dos trabalhadores.

– Leilão é privatização! Pelo fim da ANP!

– Nenhum direito a menos; avançar em novas conquistas para os trabalhadores e a juventude em todo o mundo.

– Contra a guerra imperialista na Líbia e a complacência do governo Dilma!

– Contra a ocupação imperialista no Iraque e no Afeganistão.

– Contra a ocupação militar Israelense na Palestina. Pela Autodeterminação e Soberania do Povo Palestino;

– Solidariedade aos povos e juventudes em luta contra o Imperialismo e o Capital em todo o mundo;

– Solidariedade com a Revolução Socialista Cubana, contra o nefasto bloqueio imperialista;

– Pela libertação imediata dos 5 heróis cubanos;

– Apoio e fomento a Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA);

– Solidariedade a todas as organizações em luta contra o governo narco-terrorista Colombiano!

– Apoio aos diálogos de paz com justiça social e participação popular na Colômbia!

– Oposição independente ao governo Dilma!

Educação

Após um ano de acirramento das lutas, onde na educação presenciamos a maior greve dos últimos tempos, a União Nacional dos Estudantes convoca o seu 53ª Congresso, onde supostamente discutirá temas importantes para o futuro da educação no Brasil. Porém, o que esperar de uma entidade que a cada ano está cada vez mais descolada das lutas reais dos estudantes, que a cada congresso se apresenta como porta voz dos interesses do grande capital, defendendo as transferências de verbas públicas para o setor privado da educação, que se ausenta de questões fundamentais como a privatização dos Hospitais Universitários e defende com unhas e dentes um projeto precário de expansão do ensino superior?

Diferente do “mundo do faz de conta” da UNE, a realidade da Universidade brasileira não nos permite nenhum tipo de orgulho. Se os dirigentes da entidade realmente frequentassem as salas de aula, se deparariam com turmas lotadas, falta de políticas de assistência estudantil e de restaurantes universitários, professores com o plano de carreira cada vez pior e servidores sendo submetidos a péssimas condições de trabalho.

Para uma crítica profunda do atual modelo de educação, devemos fazer sempre o esforço de buscar os problemas em suas raízes, sempre levando em consideração a totalidade das relações sociais às quais ela está submetida. Isso significa dizer que não devemos compreender a precarização do ensino como um mero problema de ordem administrativa ou de financiamento, seu sucateamento pode ser traduzido numa concepção de Estado que há anos vem sendo implantado no Brasil, que preza por uma lógica de mercado e por parcerias com empresas privadas, colocando nitidamente a Universidade sob interesses do capital.

A entidade que no passado lutou pela defesa da educação pública hoje anda na contra mão da história. Se o governo FHC optou claramente por uma política de expansão das instituições privadas, Lula o aprofundou com programas de transferência de verba pública para o setor privado, como o FIES e o Prouni, ao ponto em que hoje temos apenas 23,4% dos estudantes em Universidade Públicas para 76,6% nas privadas. É necessário falar que praticamente a totalidade dessas novas instituições não oferecem um ensino de qualidade, quase nunca realizam pesquisas – e quando fazem sempre é atendendo o interesse de alguma outra empresa privada -, e desconhecem a palavra “extensão”. Além disso, contam com o respaldo do governo e da UNE para realizarem constantes ajustes abusivos nas mensalidades e coagir alunos e professores. Ao invés de lutar pela estatização das inúmeras instituições de ensino privadas, a União Nacional dos Estudantes opta em saudar acriticamente esse quadro, se colocando claramente ao lado dos grandes barões da educação.

Se há alguns anos já se delineava um nítido processo de favorecimento ao capital privado na expansão do ensino particular, nos últimos anos esses interesses penetraram sem nenhum pudor na rede pública. Seja através da terceirização de grande parte de seus serviços, da existência de fundações privadas que buscam captar verbas na iniciativa privada ou de privatizações dos HU’s através da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), o fato é que a Universidade pública se transformou no mais novo balcão de negócios do país.

Além desse processo de sucateamento e privatizações, a Universidade pública se mostra, de uma vez por todas, como um centro de reprodução do saber, da formação profissional e da ideologia dominante. O que em tese deveria ser um espaço para a formação do senso crítico e para a produção de um conhecimento voltado para a classe trabalhadora, mais do que nunca, vem funcionando de acordo com interesses privados; caso contrário, como justificar certos cursos de agronomia servindo diretamente às empresas de agronegócios em um país onde reina a concentração de terras? Como explicar projetos de extensão que se colocam ao dispor de grandes empresas, perdendo assim o caráter de extensão? Ou então, como justificar cursos de arquitetura onde a maior preocupação é elaborar projetos de shoppings centers e prédios luxuosos, enquanto grande parte da população sequer tem um teto para morar?

A posição tomada pela UNE durante todo esse processo foi didática, mostrou àqueles que ainda tinham alguma esperança o verdadeiro papel cumprido pela entidade. Ao invés de se somar aos estudantes e trabalhadores em luta, a UNE, numa clara tentativa de desmobilização do movimento, optou por fazer reuniões de gabinetes com o governo, onde apresentava pautas cada vez mais rebaixadas e inclusive enganava os estudantes com supostos ganhos, como a destinação de 10% dos royalties e 50% do fundo social do Pré-sal para a educação.

O que a entidade esqueceu de falar é apenas 1,65% desse fundo do Pré-sal estaria, em tese, apto para ser convertido na educação, o que não chega nem perto do tão sonhado 10% para a educação. Acreditamos que é necessário fazer um debate muito mais profundo sobre o problema de financiamento das universidades. A própria bandeira dos 10% do PIB para a educação deve estar vinculada a sua destinação somente para as Universidades Públicas, e que mesmo assim, submetida aos interesses da grande maioria da sociedade, caso contrário, de que adiantaria um aumento de financiamento senão para aprofundar esse sistema pautado na lógica de mercado?

Sendo assim, a União da Juventude Comunista não tem a ilusão de transformar a UNE através de disputas por cargos na direção, muito pelo contrário, visto que isso só aumentaria a suposta legitimidade da entidade e contribuiriam para a perpetuação de suas práticas burocratizadas e alinhadas ao governo. Para que o movimento estudantil possa dar o salto organizativo necessário para respaldar suas lutas, é necessário que ele seja referendado através de suas bases e não tendo como porta vozes entidades atreladas à ordem que servem como correia de transmissão dos interesses do governo às Universidades, mas sim por um movimento que esteja pautado na real demanda dos estudantes e trabalhadores e disposto a lutar lado a lado junto aos movimentos sociais combativos, formulando um novo projeto.

Significa dizer que a transformação de tal quadro passa necessariamente pela superação das inserções sociais e produtivas da ordem social que vivemos. O que implica a necessidade de sempre irmos além em nossas lutas, nunca nos restringindo a uma pauta reativa ou a simples defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade, mas sim de uma educação popular. Em outras palavras, devemos, de uma vez por todas, debater coletivamente um projeto de universidade que esteja balizado nas demandas concretas dos trabalhadores e que contribua para um processo mais amplo de transformação social; desta forma, levantamos a bandeira da UNIVERSIDADE POPULAR.

A construção da Universidade Popular!

O debate sobre a educação no Brasil nos remete à discussão sobre que universidade que nós necessitamos de acordo as demandas da maioria da população, os trabalhadores. Para a União da Juventude Comunista, é impossível dissociar a luta por uma sociedade mais justa e fraterna da luta por uma universidade popular. Cabe aos movimentos sociais e em especial àqueles ligados à educação debruçar-se sobre esse tema e apontar uma alternativa estratégica ao modelo elitista atual.

A construção da Universidade Popular passa necessariamente pela reafirmação do seu caráter público e a luta intransigente contra qualquer medida que busque torná-la privada. Uma universidade que tenha como princípio o ensino crítico, com práticas educativas que rompem com o modelo pedagógico atual e coloque a educação como instrumento de emancipação das classes subalternas.

Este projeto a ciência e tecnologia deve voltar-se para as demandas reais da maioria da população e não para os interesses mercadológicos. Uma universidade com democracia interna, que tenha espaços onde docentes, trabalhadores e estudantes possam colaborar e construir conjuntamente um forte instrumento de transformação. Uma universidade que assuma o seu papel transformador da realidade, dialogando com os mais diversos movimentos sociais com o objetivo de construir novos valores na sociedade brasileira.

Hoje se faz necessário, muito mais do que a disputa fratricida entre organizações estudantis de cúpula, que os estudantes brasileiros se debrucem acerca da questão do modelo de universidade ao qual defendemos e devemos disputar este projeto na sociedade. Se o movimento estudantil em articulação com os próprios trabalhadores da universidade e os demais movimentos populares não tiver como foco a construção de um projeto de universidade de viés classista e continuar em uma defesa generalista do “ público, gratuito e de qualidade” estaremos fadados a defender uma expansão universitária que se integra perfeitamente ao modelo de desenvolvimento capitalista ao qual passa o Brasil. A Universidade que se expande é excludente, e não pressupõe uma sociedade pautada na distribuição de riquezas, mas sim em diplomas pra muitos, e ciência de ponta para poucos grupos econômicos privilegiados.

A luta pela universidade popular é plural e ampla, por isso atuamos das formas mais diversas possíveis. Problematizar o acesso, rejeitando este tipo de vestibular que favorece em termos gerais quem possui dinheiro. Lutar por democracia, boas condições de permanência. Problematizar o ensino, através da participação ativa nos espaços universitários onde se discuta o conteúdo pedagógico e onde se discuta a criação de novos cursos, buscando sempre cursos que gerem massa crítica e que se orientam para demandas populares.

Sem dúvida, a pesquisa e a extensão constituem o caminho mais próximo para este tipo de disputa. A extensão é um mecanismo para levar a Universidade ao povo, e trazer o povo para dentro dela, rompendo a lógica de divórcio entre a universidade brasileira e a sociedade que a alimenta há décadas.

Propostas para Universidade Popular

Hoje o projeto de universidade que se apresenta como demanda da esquerda é o de Universidade Popular, e sua construção depende de uma clara consciência de como dialogar este projeto com a realidade concreta.

Tratemos ponto a ponto:

1- Ensino: Como é possível perceber o ensino na universidade hoje vem perdendo seu caráter metodológico, em menor ou maior grau. Não mais serve a formação de pessoas críticas capazes de realizar por conta própria o estudo e análise da realidade. Não mais se formam cientistas. Para a construção da Universidade Popular devemos ter em mente o ensino metodológico. Apenas um ensino de tal modo pode ao mesmo tempo preparar aqueles que o cursam para o mundo do trabalho ao passo que permita uma formação crítica. Sem tal curso metodológico, fica impossível uma inserção crítica no mundo do trabalho e até mesmo impossibilita que os indivíduos formados possam suprir as demandas sociais, uma vez que estas mudam conforme mudem os problemas centrais da comunidade. Para isso é imprescindível que a formação de trabalhadores e cientistas seja indissociável.

2- Pesquisa: A pesquisa na universidade não pode ser pautada, como hoje cada vez mais se torna pela taxa de lucro de alguns indivíduos e grupos empresariais. A Pesquisa de Base é fundamental para que desenvolva a ciência no país. E mesmo a pesquisa aplicada deve tomar um caráter diferente do que toma hoje. A pesquisa aplicada não pode ser voltada para demandas do mercado, isto é, não deve ser para o que é mais lucrativo. A universidade deve ter como lógica de pesquisa o que se demonstra como demanda popular. São os problemas da população, sejam eles de ordens médicas, culturais ou no âmbito do urbanismo, que devem ser solucionados. Deve-se também evitar o puro utilitarismo, isto é, o conhecimento produzido não deve ser pautado apenas pelas suas utilidades imediatas, mas pela demanda popular, e também acadêmica, que pode detectar a necessidade do estudo em determinada área. Nesse sentido, é fundamental que os alunos estejam engajados em tais produções, sempre cientes da produção científica e das demandas populares. Deve-se dizer que a produção de conhecimento é, para a universidade popular, uma função fundamental a ser garantida.

3- Extensão: A extensão não é como é tratado hoje, um mero apêndice da universidade. A extensão é um ponto fundamental para o funcionamento de uma Universidade Popular. Não por levar à população o que é produzido na universidade, mas sim o inverso: é justamente na extensão onde, em uma realidade em que os trabalhadores não estão organizados politicamente, a comunidade universitária poderá absorver as demandas populares, para o redirecionamento da produção acadêmica, fechando o ciclo. Não trata a extensão da produção de livros didáticos, mas sim da verdadeira integração entre a construção destes junto a um diálogo com as escolas públicas. Não é apenas a oferta de atendimento médico e garantia do espaço de estudo para futuros médicos, no Hospital Universitário, mas a utilização destes hospitais para o mapeamento de doenças mais comuns e de centrar então na prevenção destas. É na extensão que poderemos avaliar, por exemplo, qual é o meio de produção de energia mais eficaz para a realidade brasileira, levando em conta a organização urbana brasileira, as aplicações de projetos de produção e aproveitamento de energia de cada bairro. Nesse sentido, fica dada a unidade entre ensino-pesquisa-extensão que pautamos: é o curso metodológico voltado para as demandas populares, seja no caráter do ensino, da pesquisa ou da extensão. É o desenvolvimento do ser humano pleno científico e consciente, capaz de intervir no mundo do trabalho e na sociedade que este gera, levando em conta não o mercado, mas as necessidades concretas do estado e do país. É a unidade que se realiza no fechamento do ciclo de conhecimento como um conhecimento social.

Bandeiras de Luta:

– Em defesa de uma Universidade Popular, Pública, Gratuita, de Qualidade e Laica.

– Por uma Reforma Universitária pautada no Plano Nacional de Educação elaborado pelos movimentos sociais.

– Pela universalização do acesso do ensino superior viabilizado pela expansão do ensino público.

– Pela regulamentação do ensino privado de acordo com as demandas sociais.

– Contra as fundações privadas nas universidades e hospitais universitários .

– Contra a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).

– Dinheiro público só para a educação pública.

– Contra a entrada do capital estrangeiro no ensino superior.

– Contra o PROUNI! pela transferência de todos os bolsistas para as universidade públicas.

– Por eleições diretas para reitor nas públicas e pagas!

– Pela participação dos estudantes, técnicos-administrativos e professores na formação de Conselhos Universitários nas IPES!

– Pela livre organização dos estudantes e dos trabalhadores nas IPES!

– Contra os Cursos pagos na universidade pública!

– Boicote ao ENADE! Por uma avaliação externa e interna no processo de ensino!

– Por um Plano Nacional de Assistência Estudantil nas universidades, construído pelos estudantes!

– Contra qualquer aumento de mensalidade nas IPES.

– Pela garantia de condições de aprendizado profissional e ampliação de direitos para os estagiários

O papel do Movimento estudantil

A UJC conta hoje com presença militante em diversas universidades pelo país tanto públicas como privadas. Participaremos do 53° CONUNE, fazendo a crítica ao atual processo de tiragem de delegados ao Congresso da UNE, a maioria destas eleições ocorrem de forma despolitizada em um ambiente propício aos acordões entre as chapas (através de negociações das forças políticas na Comissão Nacional de Credenciamento e Organização, fraudes e especulações).

Para além da disputa de delegados e cargos na UNE, queremos debater com o conjunto dos estudantes e do movimento estudantil organizado a importância da unidade de ação do Movimento Estudantil com o movimento sindical, popular e social ao combater os ataques nas políticas educacionais do governo Dilma e a disputa de um outro projeto através de uma frente política com partidos,movimentos sociais, indivíduos com caráter anticapitalista e anti-imperialista.

Os congressos dos estudantes universitários nos possibilitam e nos apresentam o desafio e discutir a universidade que precisamos e como o movimento estudantil deve se organizar para atingir seus objetivos. A UJC constrói o Movimento Nacional por uma Universidade Popular, que tem como perspectiva a construção de uma universidade onde o ensino, a pesquisa e extensão estejam voltados para a superação dos principais problemas sociais que afligem as classes populares, ao nos contrapormos a mercantilização da vida causada pelo capitalismo nesta fase histórica.

Infelizmente, com chegada de Lula a presidência da república, a UNE vem apoiando incondicionalmente o Governo Federal em detrimento do apoio as mobilizações e lutas dos estudantes. O Governo do PT fez uma opção pela governabilidade conservadora, em detrimento da mobilização popular, o que fez com que o governo capitulasse frente aos interesses do grande capital tornando-se refém do jogo parlamentar, especialmente da aliança com setores da direita. Sem dúvida, hoje a UNE está amoldada à defesa desta lógica dominante, atrelada ao governo federal, ao jogo da pequena política de cúpulas. Com um histórico repleto de identificação com as causas populares, a UNE de nossos tempos mais contribui para a desorganização e despolitização dos estudantes. Prova disso é o debate meramente técnico e institucional sobre a aplicação de recursos do PIB para educação, sem apresentar nenhum projeto alternativo de educação no seu todo, sem ousar e muito menos recuperar a tradição progressista e crítica desta entidade.

Acreditamos que a construção da UNE de volta para a luta e em sintonia com as verdadeiras questões da sociedade brasileira não se concretiza pela mera disputa de cargos na entidade nem muito menos criando entidades paralelas, como o caso da Anel. O debate sobre os rumos da UNE não é um debate sobre aparelhos e disputas residuais de cúpula, mas se implica na construção de um movimento político pela base – uma reconstrução do movimento estudantil brasileiro de fato – tendo como uma das pautas principais a necessidade de se construir um projeto educacional para além da lógica do capital e do imperialismo.

A UJC compreende a importância da organização do movimento estudantil a nível nacional e suas entidades. Os espaços unitários de discussão, organização e luta dos estudantes, como os congressos estudantis, o fórum de executivas e federações de curso, Conselhos de CA´s e DA´s, são importantes pois aglutinam as diversas expressões políticas do movimento estudantil organizado. Constituídos historicamente, estes espaços devem ser ampliados e fortalecidos, favorecendo a luta dos estudantes por suas demandas, reivindicações e conquistas.

O campo cultural do ME deve ser pensado considerando o seu caráter aglutinador e como forma de expressão de diversas ideias. Devemos trabalhar com as artes sem esquecer que elas também se inserem na disputa pela hegemonia política e cultural existente na universidade e na sociedade em geral. Assim, buscamos envolver essa produção nas lutas populares sem, no entanto, desenvolver uma prática utilitarista das artes e respeitando as mais diversas técnicas e expressões. Por isso, entendemos que a Bienal de Arte e Cultura da UNE deva ser um espaço de politização e discussão de cultura. As últimas bienais mostraram não possuir esse caráter, ignorando temas centrais num debate de cultura, como a influência da indústria cultural. Apoiamos iniciativas como os CUCA’s, apesar de dentro desses espaços manter-se a mesma política que vemos em outros espaços da UNE. Mas propomos o resgate do legado dos CPC’s da UNE dos anos 60, para a formulação de novas experiências neste terreno pouco desenvolvido pelo ME de hoje.

É com estas constatações que a UJC juntamente com outros coletivos e organizações de esquerda, se esforça na construção de um outro projeto de universidade e sociabilidade na perspectiva do comunismo.

Bandeiras:

– Oposição e independência da UNE frente ao governo Dilma

– Pela reconstrução das UEE’s;

– Pela realização de CONEB’s anuais;

– Pela realização de CONEG’s bienais;

– Pela realização de debates sobre as lutas estudantis na América Latina e no Caribe, em conjunto com a OCLAE, com o objetivo de divulgar e debater a situação dos estudantes na região!

– Pela reconstrução do movimento estudantil brasileiro!

VENHA QUE A CAUSA TAMBÉM É SUA!!

ENTRE EM CONTATO COM A UJC, VENHA CONSTRUIR O AMANHÃ LUTANDO HOJE!!

brasil.ujc@gmail.com

www.ujc.org.br