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O neoliberalismo e o fim do futebol popular
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O neoliberalismo e o fim do futebol popular

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Por Gabriel Dalagna, militante da UJC-Brasil

A Copa Libertadores da América surgiu como uma ideia conjunta de Brasil e Chile em 1958 durante uma conferência da Conmebol, com o objetivo de estabelecer um torneio interclubes entre os campeões nacionais sul-americanos para assim definir qual seria o melhor clube sul-americano daquele ano. Inicialmente foi chamada de Copa dos Campeões da América, e a partir de 1961 se tornou Copa Libertadores da América, homenageando os nossos heróis históricos, que nos libertaram do domínio colonial europeu.

Porém, a partir de 2016 a Libertadores iniciou um processo para deixar de ser um torneio que levava felicidade para milhões de torcedores apaixonados pelo futebol e pelo espírito do futebol sul-americano, com o grande incentivo dos seus patrocinadores imperialistas, sendo seu principal patrocinador, o multibilionário grupo Santander, que lucra bilhões anualmente através do parasitismo do capitalismo financeiro. A Libertadores, até então um torneio que durava 6 meses, passou a durar 11 meses. Ignorando completamente o problema de calendário que isso se tornaria para os clubes sul-americanos, que em sua grande maioria não tem condições de manter um elenco suficientemente grande para competir o ano inteiro em duas frentes. Excluindo ainda mais o espírito que a libertadores possuía, ao qual permitia que clubes com pouco investimento pudessem chegar até as fases mais avançadas da competição e muitas vezes até se tornar campeões.

Esse ano seria o último ano de libertadores com dois jogos nas finais, no qual ambos finalistas tem a oportunidade de decidir o título do torneio mais importante das Américas na frente dos seus fiéis e apaixonados torcedores. Pois a partir de 2019 teremos uma final única em campo neutro, elitizando ainda mais o torneio, impedindo que o torcedor das camadas populares tenha acesso aos jogos do seu time. Dando espaço somente aos ricos irem em uma final, que não terá a paixão real dos torcedores, o esporte mais popular da América do Sul vai excluindo o povo que o criou. O Monumental de Núñez seria o último palco de uma Libertadores popular, entretanto, o governo neoliberal de Macri que joga cada vez mais a Argentina em uma crise econômica e social terrível, através das assassinas políticas de austeridade financeira, impediu que isso acontecesse ao agravar a crise de segurança na Argentina. Contribuindo para que a polícia argentina não tivesse condições de fazer uma rota de bloqueio para o ônibus do Boca Juniors. Macri tentou evitar que a final saísse da Argentina, pois sabia que isso só demonstraria ainda mais ao mundo, o que ele está causando ao país. O escândalo do adiamento da final da Libertadores só demonstrou ainda mais o descontrole de Macri com a crise, demonstrando mais uma vez na história as consequências de um governo neoliberal e de suas políticas de austeridade.

A partir disto, Macri deu a oportunidade para que o corrupto presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, entregasse a Libertadores nas mãos do imperialismo europeu. Levando a final para o Santiago Bernabéu, estádio do time mais capitalista do mundo, o Real Madrid, e para o país sede de sua grande patrocinadora. Matando de vez o que seria o último sopro de liberdade e popularidade do futebol sul-americano. Temos que nos unir como sul-americanos para a impedir a elitização crescente, promovida pelos grandes interesses do capital. O futebol foi criado como um esporte de operários, um esporte vindo das classes populares para as classes populares, e assim deve continuar.