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Nota de esclarecimento sobre o Manifesto da Juventude Brasileira à Comissão Nacional da Verdade e à Sociedade Brasileira
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Nota de esclarecimento sobre o Manifesto da Juventude Brasileira à Comissão Nacional da Verdade e à Sociedade Brasileira

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A UJC esclarece que não assinou o Manifesto da Juventude Brasileira à Comissão Nacional da Verdade e à Sociedade Brasileira. Este manifesto foi assinado apenas pelo Levante Popular da Juventude; Consulta Popular; Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça; Federação do Movimento Estudantil de História e União da Juventude Rebelião.

Não assinamos o Manifesto porque temos claras diferenças com o Levante Popular da Juventude, a Consulta Popular e a UJR, sobre a caracterização da iniciativa do governo Dilma de apurar e publicar arquivos documentais que comprovem violações dos direitos humanos promovidos pelo Estado brasileiro, entre 1946 e 1985.

Os companheiros consideram um “ato de coragem” de Dilma, em enfrentar os elementos mais reacionários do conservadorismo milico. Eles atribuem ao governo Federal um caráter mais progressista do que ele tem de fato. Dilma, cada dia mais, agride os trabalhadores e se mostra uma gerente do Capital, descompromissada com os interesses, mesmo que os mais corporativos, dos trabalhadores e buscando conciliar Trabalho e Capital numa perspectiva conservadora.

A UJC avalia, como positiva a instalação da Comissão da Verdade pelo governo. No entanto, sua iniciativa institucional está também fundada na pressão da condenação do Brasil na Comissão Inter – Americana de Direitos Humanos da OEA, não em algum compromisso histórico com a luta democrática que rompa o pacto conservador de governabilidade. Inclusive, o governo tem se posicionado de forma conciliadora com estes mesmos setores reacionários. Dilma não quer entrar em conflito com a base conservadora que sustenta seu governo.

A luta pela verdade e justiça tem muito que avançar. Argentina, Chile e Uruguai começaram a punir os militares que cometeram crimes contra a humanidade, enquanto isso no Brasil estes setores se sentem a vontade para fazer manifestações, celebrações e soltar notas elogiosas ao período mais tenebroso pela qual a América Latina já passou. Consideramos que isso acontece devido ao fato de a Comissão Nacional da Verdade do Brasil ser limitada e conciliadora.

O período a ser apurado pela Comissão não é especificamente o do golpe militar, mas também de governos eleitos pelo voto popular, como o de Juscelino Kubitschek e João Goulart; a documentação não está sendo aberta de forma ampla e irrestrita e não há perspectiva de punição aos torturadores e repressores a serviço ditadura. Estes são sinais claros de que a Comissão foi composta para promover uma conciliação nacional, ou seja, “virar esta página da história” e o Brasil seguir em frente na direção de se transformar numa potência capitalista.

Por isso, estamos comprometidos em construir unidade em torno de um amplo e massivo movimento político, envolvendo organizações sindicais, estudantis e de bairro, com a promoção de manifestações de rua em todo o País, para que o resultado dos trabalhos da comissão da verdade não se transforme numa conciliação com os algozes de nosso povo. O PCB e a sua juventude, a UJC, como organizações que foram brutalmente reprimidas pela ditadura – basta dizer que um terço do Comitê Central do PCB foi assassinado na tortura e desaparecido – se comprometem a levar esta luta até o fim, em homenagem não apenas aos nossos mortos e torturados, mas também a todos que sofreram e tombaram na luta contra a ditadura.

PELA VERDADE, MEMÓRIA E JUSTIÇA!

PELA LOCALIZAÇÃO DOS “DESAPARECIDOS”!

PUNIÇÃO AOS TORTURADORES!