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Greve? Qual a Situação?
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Greve? Qual a Situação?

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Por: Núcleo UJC-USP

As recentes mobilizações de funcionários e professores da USP, com apoio estudantil, levantaram um debate sobre a possibilidade de greve na universidade. O que acontece é que as entidades representativas dos trabalhadores (Adusp e Sintusp), reunidas com as entidades análogas das outras universidades estaduais, aprovaram um indicativo de greve para o dia 28/05. As reivindicações são justas. Desde 2015, o salário é reajustado abaixo da inflação, ou simplesmente não sofre nenhuma modificação, acumulando assim um arrocho – isto é, a diminuição do salário – de 12,66%. Somado a isso, há ausência de contratações e alguns processos de demissões, aumentando a carga de trabalho dos profissionais que ainda restam. A qualidade de vida e as condições de trabalho dessas pessoas diminui, afetando também a qualidade do serviço. A terceirização aparece como solução, mas nesses casos, encontramos condições ainda piores, como a terceirização aos poucos do restaurante central, onde funcionários terceirizados não podem comer a comida que produzem, nem usar os mesmos vestiários que os concursados.

No entanto, o mais contraditório é que, segundo estudo publicado no Boletim do Fórum das Seis, o aumento do repasse do ICMS aumentou 8,08% no primeiro quadrimestre de 2018 em relação ao mesmo período em 2017. Isso demonstra que há dinheiro para que se aumente os salários dos funcionários, que apenas reivindicam a correção salarial de acordo com a inflação. O proposta pelos reitores de 1,5% de reajuste faz parte de um processo: é uma das frentes do desmonte da universidade, tendo como marco a PEC do Fim da USP, na qual, através do congelamento de contratações, incentivos à demissão voluntária e metas que congelam os gastos, a qualidade da instituição é prejudicada, visando “sustentabilidade financeira”.

A proposta apresentada pelo CRUESP, o conselho das reitorias das estaduais, será votada no próximo Conselho Universitário, assim como todas as grandes decisões da universidade, como a já mencionada PEC do Fim da USP. Esse espaço, apesar de contar com representantes da comunidade uspiana (e também de setores externos, inclusive representantes do capital privado, como a FIESP), não tem nada de democrático. Em realidade, a maior parte dos representantes são diretores das Unidades, eleitos de forma não democrática, e professores aliados, o quê dá sempre uma grande vantagem às propostas da reitoria. A participação de estudantes e funcionários é meramente formal: os graduandos são 10% do total de docentes; os pós-graduandos, 5%; os funcionários têm apenas três representantes. Não há uma democracia de fato, e nossas pautas não conseguem vitórias nesse espaço.

Para além da questão salarial, anteriormente mencionada, observamos uma série de ataques ao caráter público da Universidade, que afetam diretamente aos estudantes, como a ausência de professores (e de disciplinas por conta disso), a insuficiência e falta de manutenção das moradias estudantis, a diminuição do oferecimento de bolsas, e também as tentativas de desvinculação do HU, que não só prejudica os usuários, mas também os estudantes que cumprem residência e pesquisam ali. Todas essas, com enfoque na questão da permanência estudantil (algo prioritário em um cenário de aprovação de cotas), são pautas importantes, que mobilizam e já mobilizaram grandes lutas na universidade. No entanto, ainda estão secundarizadas nas reivindicações.

Para que barremos este processo – que não vem apenas de uma reitoria, mas é implantado de maneira lenta há anos, e que recrudesceu nos últimos tempos -, precisamos de bandeiras fortes, fundadas em ampla pesquisa e mobilização, aprofundando as que já existem com divulgação e mobilização nos três setores. Não se pode fragmentar as pautas entre estudantes, funcionários e professores: o desmonte da universidade é universalizante, atinge a todos. A coesão necessária para barrá-lo também deve ser.
Um passo primordial na construção de um movimento que garanta de fato as pautas já levantadas e as unifique é a democratização da universidade. Para levar a cabo as importantes pautas, já comentadas, é preciso a paridade nos conselhos e congregações. Apenas assim, poderemos disputar de fato as pautas dos três setores juntos, e poderemos avançar, não apenas resistir aos ataques. A paridade é universalizante, e impele a mobilização conjunta.