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Detidos membros da Federação de Estudantes Universitários (FEU-Colômbia)
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Detidos membros da Federação de Estudantes Universitários (FEU-Colômbia)

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Mais uma vez o governo nacional quer impedir o movimento estudantil de lutar em consonância ao seu férreo compromisso com a educação como direito, a solução política ao conflito social e armado e a consecução de uma paz com justiça social.

Estas afrontas se apresentam num momento histórico para o país, onde o movimento estudantil se levanta contra a Nova Lei de Educação Superior (reforma à Lei 30) do governo de Santos, que pretende privatizar e privar os colombianos da educação. A Federação de Estudantes Universitários (FEU-Colômbia) impulsionou a mobilização estudantil e a organização de grêmios estudantis ao longo da ampla geografia nacional.

Não duvidamos que a perseguição desatada também seja uma resposta à decisão de nossa organização e do conjunto do movimento estudantil colombiano de iniciar uma Greve Nacional Universitária, uma vez que o governo decidiu radicar a nova lei de educação ante o congresso. No entanto, ratificamos, sem vacilações, o compromisso organizativo de seguir aprofundando os processos de discussão e debate que nos permitem construir, de maneira democrática, um novo modelo de educação. Ratificamos que as bandeiras de unidade que hoje se encontram na Ampla Pauta Nacional dos Estudantes são garantia de vitória e certeza de um novo modelo de educação e de país.

Recentemente se levou a cabo o exitoso III Congresso da FEU-Colômbia com participação de mais de 3.000 estudantes de todos os cantos do país, numerosas delegações internacionais e importantes acadêmicos de reconhecimento internacional, que enxergam em nosso esforço e decisão uma oportunidade palpável para consolidar um novo modelo de educação, com um profundo sentido do público e em função da construção de um novo povo.

Sabemos que as forças obscuras e inimigas da paz não reconhecem e aceitam este histórico evento e, pelo contrário, viram suas baterias contra as expressões democráticas como a nossa, que são certeza e garantia da conquista de uma educação para a Segunda e Definitiva Independência: uma educação para a soberania.

Não é a primeira vez que nossa organização é vítima deste tipo de montagens jurídicas. Após a realização do II Congresso, no ano de 2008, se apresentaram as temerárias declarações da então diretora do DAS, María del Pilar Hurtado, – hoje fugitiva da polícia no Panamá –, que representaram ameaças de morte, assassinatos, exílios e perseguições. Não nos acostumamos jamais em sermos vítimas deste estado mafioso, porém perdermos a capacidade de assombro ante a ausência de garantias para exercer nosso direito constitucional ao protesto e à participação ativa nos rumos de nossa pátria. A repressão não possui limites, porém nossa resistência muito menos. Isso porque não só nos acompanha a histórica firmeza do povo colombiano como também a razão condensada na irrenunciável ideia de justiça social

Infelizmente, na Colômbia assistimos a paisagem lúgubre em que expressar posições claras frente a temas que são de interesse nacional, tais como a universidade como consciência crítica da nação e a construção da paz  se convertem numa justificativa do Estado para a violação dos direitos humanos, a prisão e o aprofundamento da repressão contra os movimentos sociais em seu conjunto.

Sabemos que a perseguição  não cessará,  sabemos que o estado não cessará sua intenção de calar o pensamento crítico, sabemos que esta seguirá sendo a resposta às demandas da sociedade. Esta não é só uma opinião isoladaa. Sabemos disso porque, como parte do movimento social, temos vivido na própria carne o conflito, pois temos que chorar mortos e visitar presos ante um Estado fundador e cúmplice da tragédia que hoje nos afeta.

Talvez acreditem que, depois de tantos anos de sua atuação criminosa, nós colombianos tenhamos nos acostumados com suas negociatas jurídicas e notícias tendenciosas. No entanto, se equivocam se acreditam que as forças sociais se amedrontam com a prisão, se equivocam se acreditam que a Colômbia renunciará a ideia de justiça social e de ameaças. Elas nos convencem cada vez mais da necessidade de construir um novo país em paz, com justiça social – e antes de tudo – sem homens e mulheres presos por lutar.

Chamamos a comunidade nacional e internacional a solidarizar-se, em primeira instância, com nossos companheiros detidos e seus familiares, a pronunciarem-se contrários à perseguição e acusações sofridas pelo movimento estudantil e, em geral, aos movimentos sociais, a apoiar os companheiros da Amazônia  e região Sulcolombiana, a defender o atual processo de mobilização que prepara a grande Greve Nacional Universitária e, em particular, os chamamos a solidarizarem-se com a FEU-Colômbia e, dessa forma, com os companheiros que hoje são vítimas da perseguição política e militar do governo de Juan Manuel Santos.

Convocamos a todas as organizações nacionais e internacionais, defensores dos direitos humanos e da sociedade colombiana em geral a exigirem junto a nós a liberdade imediata e sem condições de nossos companheiros.