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“Criar, Criar, Universidade Popular”
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“Criar, Criar, Universidade Popular”

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“Criar, Criar, Universidade Popular”

Reuniram-se nos dias 2, 3 e 4 de setembro de 2011, em Porto Alegre, para o Seminário Nacional de Universidade Popular-SENUP, cerca de 500 estudantes, educadores e militantes de movimentos sociais. Fruto de amplas mobilizações e discussões em vários estados de todas as regiões do país, tal atividade veio a reunir as diversas iniciativas e formulações que caminham no sentido da construção de um projeto de universidade contra-hegemônica em uma perspectiva anti-capitalista.

Demonstraram outra maneira de se organizar um encontro de massas, a democracia , o respeito, o engajamento e a construção coletiva que marcaram não só a atividade nacional, mas as atividades preparatórias dentro das universidades, junto aos projetos de extensão popular, Cas, DCEs, movimentos sociais e organizações políticas.

Para a UJC, tendo em vista que o caráter estratégico da revolução brasileira é socialista, reafirmamos que a tática dos lutadores no Brasil no campo da juventude, da educação e do movimento estudantil é a luta por uma educação e universidade popular. Não devemos esgotar nossas energias em encontros estudantis e de trabalhadores que não contribuam para o acúmulo de nossa estratégia. Devemos, sim, manter a posição de diálogo com outros espaços, porém, no sentido de fortalecer a luta da Universidade Popular, a luta que tem o horizonte socialista. As bandeiras de Universidade Popular vão de encontro com a necessidade do movimento estudantil de sair da pauta reativa frente às medidas que favorecem o capital em detrimento dos trabalhadores.

Ao deixar claro que as medidas e reformas impostas à universidade estão ligadas a um projeto estratégico da classe dominante, se faz necessário que as lutas cotidianas estejam conectadas a outro projeto estratégico de sociedade: o das classes subalternas.

O SENUP traz a tona a justa necessidade de uma guinada do movimento estudantil e da disputa pelo conteúdo da Universidade que reafirme que somente uma “Universidade pública, gratuita e de qualidade” não nos basta, nós queremos e conseguiremos mais: “Universidade Popular” junto com os movimentos sociais construindo um saber pautado pelas necessidades imediatas da classe trabalhadora e constituinte de uma nova perspectiva de sociedade.

É necessário, contudo, reafirmar que defender a Universidade Popular não significa abrir mão da disputa dentro da universidade hegemonizada pelo capital, pois a Universidade pública, ainda que controlada hegemonicamente pelos interesses do capital é espaço privilegiado da luta contra hegemônica.

O que precisamos é construir as devidas mediações táticas da disputa a ser travada sem abrir mão da defesa da Universidade pública e ampliar para o caráter desta Universidade que defendemos, uma universidade popular. O que queremos é uma Universidade “pública-popular”, que sirva aos interesses da classe trabalhadora.

O SENUP teve como grande avanço demonstrar que um dos locais privilegiados da construção da Universidade Popular é a Extensão Popular.

Nas oficinas realizadas no último dia do encontro houve uma intensa troca de experiências e mapeamento de alternativas no campo da extensão, cursinhos populares, projetos que discutem e intervem na cidade, na área de saúde e do direito apontando para possibilidades de ações locais integradas a um projeto global. Reconhecemos como de suma importância o peso jogado nessa atividade pelas organizações comunistas além das Juventudes: o PCB, a Corrente Comunista Luís Carlos Prestes e a Refundação Comunista, ressaltamos também a participação de representantes de Federações e Executivas de Cursos, bem como de estudantes independentes que se engajam na luta pela Universidade Popular.

O esforço dessas organizações na parte de preparação, de fazer com que essa luta se ampliasse ao máximo nos estados e movimentos, na mobilização de debatedores e parceiros em todos os âmbitos foram fundamentais e em especial o empenho e o trabalho que garantiu a participação de um camarada da Juventude Comunista da Venezuela, além da vídeo conferência com camaradas na Colômbia.

Sem exclusivismos, e sem reforçar lógicas despolitizantes e preconceituosas, tais organizações demonstraram na prática que a unidade dos comunistas se faz a partir de princípios e com o foco na construção de programas de luta, sem sectarismos, constituindo-se como um espaço amplo de mobilização anti-capitalista.

Para além de um mero espaço de reflexão teórica, o SENUP conseguiu, primando sempre pelo consenso, estabelecer uma lógica de ação pautada em um conjunto de elaborações coletivas aprovadas pelos presentes. Como agenda aprovada pelo SENUP para 2012 destacam-se a realização de uma atividade internacional sobre experiências de educação e universidade popular no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, e um grande encontro de extensão Popular, na Paraíba. Além dessas atividades gerais, ficou como mais importante a consolidação dos grupos de trabalho, comitês estaduais e locais de universidade popular.

É nesse espírito que a juventude demonstra que o caminho para a superação do capitalismo é a práxis. Ficam como desafios para as próximas atividades e lutas deste campo da Universidade Popular a necessidade de termos maior participação dos movimentos sociais, o imperativo de que professores e técnicos-administrativos das universidades se apropriem dessa luta dentro de uma concepção de que essa luta não é e não pode ser tomada como bandeira unicamente estudantil.

A UJC, às vésperas do seu VI Congresso Nacional, conclama a todos os lutadores e lutadoras a fortalecer a luta da Universidade Popular e reconhecer o SENUP como marco inicial de um grande movimento na luta anti-capitalista e contra-hegemônica dentro da universidade.

União da Juventude Comunista

Ousar Lutar Ousar Vencer