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Construir o Poder Popular!
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Construir o Poder Popular!

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Nos dias 25 e 26 de janeiro, no Rio de Janeiro, a Coordenação Nacional da UJC (CNUJC) discute e delibera sobre as principais tarefas da UJC neste ano de fortes enfrentamentos contra o capital.

Para Luis Fernandes, membro da CNUJC, a juventude comunista do PCB terá como eixo norteador de suas ações, a luta e a construção do Poder Popular. O dirigente Comunista afirma que ‘é papel de todo jovem comunista se inserir nas lutas contra os mega eventos no brasil, a precarização e a privatização dos serviços básicos à população como o transporte a saúde e a educação. Não temos dúvidas de que somente o poder nas mãos dos trabalhadores é o único caminho para resolvermos estes problemas. Aqui no Brasil, chamamos este poder de Poder Popular’, explica Fernandes.

Ainda segundo Fernandes, esta mais do que na hora de fortalecermos os trabalhados de solidariedade internacional. As contínuas prisões e assassinatos promovidas pelo estado narco-terrorista da Colômbia e o sofrimento dos trabalhadores haitianos com o avanço do imperialismo brasileiro na região – lembrem-se que o exercito brasileiro esta há 10 anos ocupando o Haiti – deve ser pauta das organizações anti-capitalistas e anti-imperialistas.

Confira na íntegra a Nota Política da Coordenação Nacional da UJC:

CONSTRUIR O PODER POPULAR

(Nota Política da UJC)

2014 é o ano das lutas da juventude e dos trabalhadores

2014 promete ser um ano de intensas mobilizações da juventude e dos trabalhadores no Brasil. Grandes empreendimentos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas (em 2016) fazem explodir uma série de descontentamentos na sociedade brasileira de diversos tipos. Mal o ano começou e já participamos de diversas manifestações contra o aumento das tarifas dos transportes coletivos pelo Brasil, estivemos denunciando e presentes nas diversas lutas contra as remoções de trabalhadores das suas casas, apoiamos os atos contra os impactos da Copa puxados pelos Comitês Populares em diversos estados, repudiamos a contínua e crescente violência e criminalização da juventude popular, passando pelos “rolezinhos” até as diversas execuções policiais e de grupos paramilitares que vem ocorrendo nas periferias.

Sem dúvida, trata-se do início de um novo ciclo da luta de classes no país, o que aumenta a responsabilidade da juventude comunista em se inserir, aprender e organizar cada vez mais as lutas populares, como também construir uma real alternativa de poder que faça frente ao poder dos monopólios e da burguesia. A resposta dos governos e da burguesia a estes descontentamentos têm um direcionamento político claro: desmobilizar e desorganizar qualquer alternativa de organização autônoma da juventude e das classes populares. Para alcançar estes objetivos as forças comprometidas com a conservação do capitalismo atacam em diversas frentes, que vão desde a ofensiva ideológica através dos meios de comunicação, até a mobilização do exército para reprimir, se infiltrar e desarticular manifestações contrárias aos megaempreendimentos do capitalismo brasileiro – repressão esta que já se normatizou juridicamente pelo Governo Dilma através da Portaria Normativa n° 3461.

Nesta conjuntura, dois caminhos se apresentam!

No campo dos trabalhadores e da juventude popular, vemos as manifestações de alguns dilemas de organização para estabelecer uma mínima unidade frente aos ataques do grande capital. De um lado, acompanhamos a incursão de setores governistas do chamado campo democrático-popular, que estão cada vez mais comprometidos e atrelados às meras disputas dentro da atual ordem vigente. Para esses setores, a solução para o atendimento das demandas dos trabalhadores estaria na retomada do crescimento do capitalismo brasileiro com reformas estruturais incorporando os anseios do povo trabalhador; o palco principal desta disputa seria o espaço institucional, instrumentalizando o movimento de massas a esta prioridade.

Por mais que achemos que ainda há espaço para o crescimento do capitalismo brasileiro, este crescimento necessariamente entra em choque com as demandas históricas dos trabalhadores. O crescimento do agronegócio suprime a agricultura familiar e aumenta a exploração dos trabalhadores rurais. A expansão da especulação imobiliária se colide com o problema de moradia para milhares de pessoas nas grandes cidades. A falta de prioridade dos governos na saúde, educação e transporte público se relaciona com o incentivo à privatização destes serviços essenciais à população. Por mais que devamos ocupar todos os espaços possíveis nas lutas, os espaços institucionais não são os prioritários para se construir efetivamente um poder alternativo ao poder da burguesia na atualidade. Por isso acreditamos que este campo democrático-popular desarma esta alternativa, não contribui para qualquer ruptura e autonomia para a juventude e os trabalhadores.

Há também o crescimento de grupos autoproclamados “horizontais”, “mais democráticos” e “autonomistas” no vácuo do atual vazio político organizativo, dos quais muitos deles dialogam fortemente com elementos culturais do neoliberalismo, como o individualismo, posturas contrárias às tradicionais formas de organização dos trabalhadores e quando apontam alguma solução política caem no reformismo e no institucionalismo. Não podemos confundir estes setores com grupos anarquistas e anticapitalistas; com estes, apesar das diferenças históricas, temos mais afinidade no que tange ao compromisso de classe e a luta contra o capitalismo.

A tarefa dos jovens comunistas da UJC: Construir o PODER POPULAR!

Mas qual seria o papel da juventude comunista e seus aliados neste momento? Além de nos inserirmos cada vez mais nas lutas da nossa classe e aprendermos cotidianamente com as mesmas, nossa tarefa é construir o poder popular a partir das demandas, experiências, lutas e aprendizados da juventude popular e dos trabalhadores. Neste novo ciclo de lutas, nosso papel é este: ser um instrumento para viabilização do poder popular nos diversos espaços. Apenas o poder popular poderá colocar a classe trabalhadora na contraofensiva política. E é este objetivo de derrubada do capitalismo através do poder autônomo dos trabalhadores que norteia a UJC e sua política.

Por exemplo, temos acompanhado uma polêmica sobre a palavra de ordem “Não vai ter Copa”. Algumas forças políticas, vinculadas ao governo ou não, tem acusado esta bandeira de ser uma apropriação da direita para desestabilizar o governo Dilma. A linha editorial dos monopólios de mídia pseudocríticas aos gastos da Copa tem tentado se apropriar dos protestos para influir ainda mais na política brasileira. Contudo, este não é um grito da direita. A direita influi e está no poder: a Copa é um grande empreendimento que unificou ainda mais a burguesia brasileira. Nosso papel é aprender com estas experiências das massas e politizar estas e outras questões: não seremos nós que iremos decidir sobre o grito dos protestos. Mas é papel dos comunistas potencializar a ampliação, diálogo e politização das lutas em curso. Em suma, nossa tarefa é contrapor toda a propaganda do empresariado e dos governos de que esta Copa pertence aos trabalhadores.

Neste sentido, dizemos em alto e bom som que a saída está na unidade de construção pelo poder popular, pela rearticulação dos trabalhadores e os seus projetos históricos. A UJC não titubeia e sabe de qual lado estar neste momento. Além das mobilizações, reforçaremos nossa organização e o nosso estudo para estarmos à altura dos desafios no porvir. A construção do Poder Popular norteia as nossas ações em nossas frentes, seja na construção em unidade com a base dos movimentos combativos do ENMUP, seja na luta contra a precarização e pelo direito ao trabalho na juventude, seja na luta pela democratização do acesso e produção cultural.

E é neste momento de ofensiva do capitalismo internacionalmente que urge fortalecermos os nossos vínculos com organizações de juventudes revolucionárias e comunistas que lutam pelo poder popular contra os monopólios e a burguesia em seus países. Sobre o nosso continente é muito importante construir uma ampla solidariedade ao povo colombiano, denunciar os mais de 9500 presos políticos pelo terrorismo de Estado e a vergonhosa exportação de armas e aviões brasileiros para o governo colombiano. Devemos nos atentar ainda mais para a atual situação de desumanidade do povo haitiano e o papel vergonhoso do governo brasileiro em liderar a ocupação militar naquele país. Por isso, é fundamental fortalecermos, divulgarmos e ampliarmos o conhecimento de todos os lutadores e lutadoras da juventude popular sobre a Federação Mundial das Juventudes Democráticas, espaço importante de articulação das lutas juvenis anti-imperialistas.

Convidamos os jovens que se rebelam contra o atual estado da sociedade, e que procuram soluções reais e radicais para isto, a construírem este instrumento: a União da Juventude Comunista! Um instrumento vivo, dinâmico e que busca se construir para estar à altura dos anseios rebeldes da juventude brasileira!

Janeiro de 2014

Coordenação Nacional da UJC