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Assembléia Geral Docente reitera: UFRJ segue em GREVE!
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Assembléia Geral Docente reitera: UFRJ segue em GREVE!

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Pedro Bras*

Foi apertado, mas foi. Com uma diferença em torno de apenas 30 votos dos mais de 500 professores presentes (e apenas duas abstenções), a Assembléia Geral da AdUFRJ na tarde desta sexta-feira (17/08) no auditório do Centro de Ciências da Saúde (CCS) decidiu pela permanência da mesma universidade na Greve Geral das IFES para o choro e alívio de professores, técnicos-administrativos e vários alunos grevistas presentes. Essa vitória aparentemente singela marcou uma forte posição na correlação de forças dentro da universidade que vivenciou nessa última semana um concreto quadro de radicalização da luta de classes, com diversas tentativas “fura-greve” e piquetes e repúdio em geral como resposta.

Desde o início das atividades, certo receio corria dentro do movimento grevista de que desta vez os professores “pelegos” viriam organizados e com alguma força para a Assembléia Geral. E realmente aconteceu. Após mais de dez Assembléias anteriores, pela primeira vez, os professores contrários à greve se apresentaram em conjunto e com relativa quantidade numérica. Quantidade numérica que, como já era de se esperar, não se traduziu em argumentos “racionais”. Quem presenciou a discussão, muito provavelmente também viu uma série de argumentos confusos e certas vezes até contraditórios, como o de “encerrar a greve imediatamente e retomá-la em três meses”. A questão da adesão à greve se polarizou radicalmente e fez parecer que os argumentos contrários se davam muito mais por uma questão ou de princípios antigrevistas, ou de interesses individuais. Mais uma vez não pareceu clara a falta de conhecimento da proposta do governo por parte dos defensores do término da greve.

Os professores “pelegos” apresentaram abaixo-assinados contrários à continuidade da greve e favoráveis ao retorno imediato as aulas, além de defenderem a ilegitimidade dos piquetes, alegaram que não havia instâncias democráticas de se fazerem representados, sustentaram a calúnia de que várias bases estão retornando as aulas e de que a vitória do movimento é uma “ilusão revolucionária”, como propôs um professor do Instituto de História (IH), este último que sofreu um piquete de alunos por uma tentativa forçada de retorno do calendário por um grupo minoritário de professores. Ao final da votação sobre a continuidade da greve, mesmo antes do término dos trabalhos, os derrotados se retiraram em massa do auditório, a exceção de um único professor que foi aplaudido pelo restante do plenário por sua posição honrosa. Apesar de tudo, se há um argumento que de jeito maneira ainda é cabível, é o de que os grevistas “não sabem respeitar a diversidade de opiniões e a democracia”. A Assembléia decidiu por quase unanimidade a abertura do direito de voto para os não sindicalizados, acatou por votação o pedido de limitar o número de intervenções a dez numa tentativa de agilizar a votação final e dividiu as intervenções pela metade, ficando uma para intervenções contrárias e outra para as a favor.

Há de se destacar a atuação do PCB, através da figura de seus camaradas e da UJC presentes, e, em especial, pela atuação do camarada do Comitê Central do PCB Mauro Iasi, presidente da AdUFRJ que soube com maestria conduzir os trabalhos numa Assembléia extremamente nervosa e polarizada. Isso mostra o peso político que o Partidão ainda tem – e é cada vez mais crescente – de intervir nos espaços do movimento sindical e das lutas dos movimentos sociais e populares sempre em defesa dos reais interesses da classe trabalhadora.

O governo tem até o dia 31 de agosto para dar um posicionamento sobre as negociações. Na opinião do sindicato seria um tremendo retrocesso a saída da greve nestas duas últimas semanas de negociação. Da mesma maneira pensa a UJC. O que estamos vendo com o passar dos 90 dias de greve é que o amadurecimento do movimento grevista intensificou a radicalização da luta de classes dentro das universidades. Mais uma vez a leitura da conjuntura da UJC e do PCB provou-se correta, na compreensão de que a universidade trata-se de um aparelho privado de hegemonia, ou seja, um espaço aberto onde em seu interior também se mostra a luta de classes. Portanto, a construção dessa greve por aqueles que a estão fazendo nas bases, mostra-se como uma expressão real do projeto de Universidade Popular, no sentido de que a análise dos fatos aponta para a construção, ainda que mínima, de uma Universidade Popular nos moldes do entendimento da UJC-PCB como um meio, como um caminho, onde se dá a luta pela emancipação socialista com perspectiva para o comunismo. Como foi dito ao final do VI Congresso da UJC, temos a certeza de que iremos colher os frutos de nosso acerto político em breve. No caso de nossa militância na UFRJ (a maior IFES do país) ele já está sendo uma realidade.

Parabéns a UJC e ao PCB. Rumo a novas conquistas!

Ousar lutar, Ousar vencer!

* Pedro Brás é militante da UJC-RJ e estudante da UFRJ