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ESTUDANTES SÃO BARRADOS NA PROVA DO ENEM NA UFSC!

ESTUDANTES SÃO BARRADOS NA PROVA DO ENEM NA UFSC!

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Hoje, dia 17/01/2021, foi dia da realização do primeiro domingo do ENEM. Apesar dos intensos pedidos pelo novo adiamento da prova, visto que nos encontramos no momento mais crítico da pandemia desde o seu início, o INEP e o Governo Federal decidiram por manter a prova, sob promessas de respeito às medidas sanitárias. O que vimos, porém, foi a expressão mais nítida do completo descaso à vida, à saúde, aos estudos e ao futuro da nossa juventude.

O ano de 2020 foi marcado pela pandemia do coronavírus, que afetou profundamente todas as esferas da nossa vida, incluindo a educação. Nesse sentido, muitos estudantes do último ano do ensino médio tiveram seus estudos extremamente prejudicados pela suspensão das aulas presenciais em todo o país, uma medida necessária no combate ao vírus. Das dificuldades enfrentadas, podemos citar: o não acesso a ambientes e equipamento adequados para assistirem as aulas, a intrínseca redução da qualidade do ensino e da aprendizagem decorrente da adoção dessa forma de educação, a redução da renda familiar e o agravamento do adoecimento mental e psíquico dos estudantes. Essas dificuldades se apresentaram para a maioria dos jovens do nosso país, mas sabemos, também, que elas afetam muito mais profundamente a juventude pobre e negra, justamente aquela que já encontra maiores barreiras sociais de acesso ao ensino superior.

Frente a impossibilidade de uma preparação minimamente adequada, se organizou uma histórica luta pelo adiamento do ENEM, que estava marcado para acontecer em Outubro de 2020. O adiamento foi uma vitória estudantil importante, ainda mais quando vemos as dificuldades de organização e de manifestação em tempos de contato majoritariamente virtual. Contudo, em mais uma decisão autocrática do órgão, o MEC não respeitou a votação dos estudantes na decisão da nova data para o exame e agendou-a para Janeiro de 2021.

Mesmo com protestos, o Inep ignorou as demandas dos estudantes e manteve a realização da prova em Janeiro, forçando aproximadamente 5 milhões de estudantes a saírem das suas casas e se aglomerarem em salas lotadas em meio a uma pandemia que nunca foi levada a sério pelos órgãos oficiais de governo. Se olhamos para o dia de hoje, vemos como as reivindicações por um ENEM em Maio de 2021 realmente eram as mais acertadas.

Manter o Exame nesse momento é, por si só, uma medida genocida. Estamos passando pela fase mais dura da pandemia no nosso país, e também em Santa Catarina. São mais de 1000 mortes diárias, todos os hospitais ultrapassando os 90% de lotação máxima e notícias sobre novas variantes do vírus, ainda mais contagiosas. E isso tudo enquanto o governo Bolsonaro-Mourão-Guedes trabalha ativamente para sabotar as medidas de contenção da doença, como uso de máscara e distanciamento social, únicas medidas com eficácia comprovada no combate à COVID-19. Obrigar os estudantes a sair de casa nessa situação é desumano, é política de morte em seu estado mais cru. 

Mas, infelizmente, não acaba por aí. Na última semana, tivemos a denúncia, feita pela UFSC, de que o INEP e sua Fundação Cesgranrio, responsável pelo ENEM, estavam orientando pela organização salas com a lotação de 80%, em desacordo com o que havia sido combinado anteriormente com a universidade, de lotação de 40% das salas para se garantir o adequado distanciamento social. Frente às denúncias, entregues pela UFSC ao MPF de SC na última quinta-feira (dia 14/01), o INEP nada respondeu. 

Como resultado da desonestidade e desrespeito do Inep, hoje cerca de 50% dos estudantes inscritos no ENEM e que realizariam a prova no câmpus Florianópolis da UFSC foram impedidos de entrar nas suas salas de prova. Em resposta, eram avisados que não poderiam realizar a prova, e foram deixados do lado de fora, sem mais explicações! Horas depois é que foram avisados que terão de solicitar a realização do exame nas suas próximas aplicações, ou solicitar pela realização online. Após expor os estudantes ao vírus durante seu deslocamento no transporte público, nos portões de entrada com aglomeração e sem organização adequada, e também nos locais de prova, o Inep demonstra o seu mais absurdo descaso, e da forma mais cruel possível, deixando milhares de jovens desamparados e sem explicações.

O que aconteceu hoje é resultado do projeto reacionário que hoje é tocado pelo governo federal. O que se busca é uma política de morte e de desestruturação total dos direitos conquistados nas intensas lutas de classes ao longo do último século. O ENEM de 2021 é consequência concreta dessa política, consequência que ainda não se completou, mas que veremos nas semanas seguintes com a intensificação da situação catastrófica nos hospitais de nosso país. Só no dia de hoje, mais de 5.000 estudantes já justificaram falta no ENEM por estarem infectados pelo coronavírus. Quantos mais novos casos serão notificados nos próximos dias decorrentes da realização irresponsável do ENEM nesta semana? 

PELA VIDA E PELA SEGURANÇA DA JUVENTUDE!

POR RESPEITO AO ESTUDO, PREPARAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DOS ESTUDANTES!

FORA BOLSONARO!

ORGANIZE SUA REVOLTA!

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