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A vitória de ontem e a tarefa de amanhã
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A vitória de ontem e a tarefa de amanhã

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Por: Kauã Ribeiro

Foto: Jonas Menezes

Cinco bilhões de reais. Essa é a estimativa do prejuízo causado apenas no setor do comércio pela greve geral do dia 28, segundo a Federação do Comércio de SP [1]. O governo, as entidades patronais e a maior parte da grande mídia publicamente disputam a narrativa de que a greve foi um fracasso de mobilização, com fraca adesão da classe trabalhadora.

Esse discurso oficial é o véu ideológico necessário para tentar impedir com todas as forças que nesse próximo período a classe trabalhadora enxergue a greve como um efetivo instrumento de luta e se utilize dela. Os principais centros urbanos esvaziados e em seguida tomados pelo povo em grandes atos, a paralisação de 35 a 40 milhões de trabalhadores [2], o prejuízo estimado no bolso da burguesia e a esperada contra-ofensiva ideológica colocam em evidência o PODER que a classe trabalhadora detém ao se dar conta de que é ela a responsável pela produção e pela circulação de toda a riqueza que existe. Sabemos que a greve foi histórica e poderosa. E o governo também, mesmo sem admitir publicamente [3].

Do ponto de vista da dinâmica do movimento de massas, do mesmo modo que as jornadas de junho de 2013, com todas as suas contradições, cumpriram um importante papel no sentido de colocar consideráveis setores da juventude em movimento e lhes proporcionar um salto de consciência, a possibilidade histórica colocada pelo dia 28 é a de um novo salto, com a consolidação da greve como um efetivo instrumento da classe trabalhadora, levando a luta de classes em nosso país a uma fase superior. Os trabalhadores gregos nos mostram sua potencialidade: nos últimos anos já foram registradas mais de trinta greves gerais no país. Não a toa é a Grécia que possui um dos mais fortes movimentos operários do mundo e cujo Partido Comunista, o KKE, vanguarda desse processo de mobilização, está a frente da reconstrução internacional do movimento comunista.

No Brasil, o ligeiro crescimento das greves em meados de 2012 foi um dos primeiros sinais de esgotamento da lógica cupulista, conciliatória e apassivadora que hegemonizou a maior parte dos sindicatos nas duas últimas décadas, mas naquela época isso não foi suficiente para a efetiva transformação da lógica sindical. Hoje está colocada para a esquerda socialista uma daquelas raras possibilidade de novamente avançar com força. Mas para tal, é necessário dispôr dos instrumentos adequados. Nossa recente vitória no Sindipetro-RJ [4], um dos sindicatos mais importantes do país, fruto da unidade entre PCB, PSTU, NOS e MAIS, coloca em primeiro plano tanto nosso potencial quanto a necessidade de um ENCLAT (Encontro Nacional da Classe Trabalhadora e dos Movimentos Sociais) para potencializar a capacidade de intervenção da esquerda classista por todo o país, nos mais diversos espaços de luta.

Consolidar um programa mínimo entre as forças classistas é a tarefa fundamental para fazer com que a insatisfação popular continue a se transformar em revolta e não fique a mercê de interesses de burocratas sindicais e daqueles que se perderam no caminho da conciliação e hoje iludem o povo trabalhador. É o caminho para que a classe trabalhadora, dentro da necessária unidade que tem sido forjada contra o governo burguês de Michel Temer, novamente disponha de seu mais importante instrumento de luta, derrube o governo golpista e suas reformas e avance na construção do poder popular e do socialismo.

[1] http://www.em.com.br/…/greve-provocou-rombo-de-r-5-bi-no-co…
[2] http://www.redebrasilatual.com.br/…/em-casa-ou-nas-ruas-gre…
[3] http://www.blogdokennedy.com.br/nos-bastidores-governo-ach…/
[4] https://pcb.org.br/portal2/14249