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A UJC e o 53º Congresso da UNE
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A UJC e o 53º Congresso da UNE

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Finda-se mais um Congresso Nacional da UNE (CONUNE). Em tese, este fórum máximo tem a função de atualizar e deliberar a nova linha política da entidade, bem como eleger a sua diretoria. Ao contrário do que a própria entidade propaga, nos últimos anos se tornou tradição da juventude brasileira participar do grande festejo que são os Congressos da UNE. Contando com mais de 8 mil estudantes de todo o pais, a 53ª edição do CONUNE não rompeu com os vícios consolidados nestes últimos 20 anos: extrema burocratização que impede a participação dos estudantes – as forças políticas que dirigem a entidade (UJS/PCdoB e o PT) controlam a tiragem de delegados de forma antidemocrática; esvaziamento dos espaços de discussão política – muitos grupos de debates não ocorriam.

Neste cenário, a UJC, seguindo sua resolução política aprovada no seu V Congresso Nacional (Goiânia, 2009) e reafirmada no VI Congresso (Niterói, 2012) participou mais uma vez desta edição do CONUNE, concretizando sua atuação de disputa política e não de cargos na direção da entidade. Mais uma vez, de forma acertada, não entramos na dança de cadeiras da diretoria, mas concentramos nossos esforços de apresentar a juventude ali presente que a UNE se coloca, desde a conquista da social-democracia (PT e aliados) à presidência da republica, como força auxiliar e subordinada do bloco político no poder. Desta forma, é do entendimento e da aceitação da UNE que programas anti-sociais como as diferentes formas de privatização que as universidades vem passando – desde aquelas ações mais sorrateiras e encobertas, como os convênios para pesquisa entre as universidades e grandes empresas, até as mais propagandeadas, como a implementação da EBSERH – são vistos pela direção da UNE (JPT e UJS/PCdoB) como reformas pontuais necessárias para inserir o Brasil na dinâmica de crescimento nacional, justificando sua inserção nos BRIC’s (grupos de países “emergentes”). É neste discurso, que a maioria das forças políticas ali presentes se enquadram: a educação deve ser prioridade e é palco destas reformas educacionais devido a manutenção do Brasil no status de pais emergente e em desenvolvimento.

Contudo, a militância da UJC apontou de forma clara neste Congresso, que o crescimento da produção nacional, que justifica as reformas da educação superior, estão atendendo apenas um lado da mesa: o grande capital. É inevitável chegar à conclusão de que a ascensão do Brasil ao panorama de países de capitalismo “desenvolvido” vem atacando os direitos fundamentais dos trabalhadores. É a custa deste crescimento econômico, que a Universidade vem perdendo o seu caráter de interesse público – e que em alguns aspectos, devido às lutas internas, respondia aos interesses populares – se caracterizando como a Universidade para o mercado. A social-democracia está entregando as nossas Universidades e toda a ciência produzida nela para o capital.

Ao mesmo tempo, a UJC não caiu no “canto da sereia”, ao se defrontar com a afirmação do bloco hegemônico, de que a Universidade atende mais filhos da classe trabalhadora e expandiu em todos os seus aspectos. Para nós, essa dupla expansão iniciada no Governo Lula e prosseguido pelo Governo Dilma, é duplamente errônea: em primeiro, por meio de transferência de recursos públicos para empresas privadas de ensino superior, através de programas como o PROUNI; em segundo, com uma expansão no ensino superior federal, que obriga as universidades a aceitarem a dinâmica do mercado e formar mais força de trabalho especializada e superficial.

Enganam-se aqueles que veem a nossa Juventude Comunista como a juventude dos debates intelectuais, que estão apenas no campo da teoria revolucionária. Neste CONUNE a UJC não só aumentou o número de militantes presentes desde sua reorganização em 2006, como e principalmente, envolveu uma quantidade expressiva e qualificada de estudantes que não concordam com a subserviência da UNE à lógica do capital e do MEC. Numa roda de conversas bastante proveitosa, a UJC juntamente com as organizações JCA e Juventude Libre, realizaram um debate sobre a Universidade, apontando de forma clara a construção de um projeto de Universidade Popular. Tendo claro que não é na disputa de diretoria da UNE e nem a construção de uma outra entidade aparelhada como a ANEL, que iremos reconstruir o ME brasileiro. Será na luta cotidiana, em cada sala de aula, laboratório, curso e Universidade que iremos forjar um novo Movimento Estudantil de luta.

Os estudantes brasileiros necessitam de um projeto claro de educação e de universidade, para somente depois, construir ou reconstruir um instrumento geral de luta. Para a UJC, este projeto de educação e universidade deve ser POPULAR, não no sentido que a social-democracia propagandeia, ou seja, de aumentar o número de vagas na Universidade. O POPULAR de que tratamos é o popular da Classe Trabalhadora; é o popular que deve conferir a Universidade uma função de contra-mercado, ou de contra-hegemonia social. Neste congresso, afirmamos que não conferimos a Universidade e o ME, como instituições que irão fazer a revolução brasileira, mas apontamos que estas mesmas instituições não devem servir a lógica do capital.

União da Juventude Comunista – UJC

Ousar Lutar, Ousar Vencer!!