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A Greve nas Estaduais Paulistas
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A Greve nas Estaduais Paulistas

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Finalmente teve início a greve das estaduais paulistas – USP, UNESP e UNICAMP – cujo estopim foi o reajuste zero dos salários de funcionários e docentes, por conta da crise financeira que assola as três universidades.

Como a corda sempre cede para o lado mais fraco, a decisão pelo congelamento dos salários foi tomada com base na justificativa de que os elevados gastos com a comunidade universitária estariam agravando a crise, principalmente no caso da USP, que diz gastar em torno de 105% do repasse do ICMS com remunerações. Vale lembrar, porém, que no caso das três universidades estaduais paulistas, não existe nenhum tipo de publicização de contas, ou transparência nos gastos.

Na USP, a decisão do corpo estudandil por manter-se ao lado de docentes e funcionários foi unânime. Após cinco anos, Universidade de São Paulo torna a ter uma greve unificada, onde os três setores decidem cruzar os braços.

A crise para à comunidade acadêmica da USP não gera surpresas, principalmente após a gestão do REItor passado, João Grandino Rodas. Gastos estapafúrdios com obras desnecessárias e decoração da reitoria, enquanto a moradia estudantil, prédios dedicados à atividades acadêmicas, e o Hospital Universitário encontram-se precarizados, é uma constante na USP, isso sem falar da situação de completo descaso com a EACH (USP Leste) que continua sem previsão para retomar suas atividades graças a contaminação por metâno em seu solo.

Nas últimas semanas, o HU não tem dado conta de atender a demanda da comunidade acadêmica e de seu entorno. Um aviso colocado na entrada pede que as pessoas busquem auxílio nas UBS mais próximas.

O CRUSP – Conjunto Residencial da USP – há anos não comporta a demanda dos estudantes que necessitam de moradia para manter seus estudos e atividades na Universidade. A cada ano torna-se mais difícil para os estudantes de fora da cidade, ou da periferia, conseguirem uma vaga.

As bolsas dedicadas à pesquisa e ao auxílio estudantil vem sendo cortadas excessivamente como medida para conter os gastos. O resultado são vários alunos que, por dependerem da ajuda de custo, acabam deixando de lado os estudos.

Para avançar na mobilização, é preciso que os três setores na USP – estudantes, funcionários e professores – unifiquem-se em uma assembleia conjunta deliberativa. Desse modo, a greve não deve pautar apenas interesses particulares, ela deve adentrar em um debate profundo sobre os rumos da Universidade e o que ela representa, a quem ela serve, e por que e como chegamos a essa conjuntura.

Na UNESP, a situação é, também, de calamidade. A expansão desmedida de cursos, com abertura de oito novos campi em cidades diferentes, sem o aumento proporcional de verbas, criou uma situação de monstruosa precarização da mais pobre das três universidades estaduais paulistas. Os problemas são difíceis de numerar devido ao grande número e pluralidade deles, mas os principais encontrados nas mais de 30 unidades da UNESP são: falta de uma política de permanência estudantil decente, com problemas sérios de moradia, inexistência de Restaurantes Universitários, tereceirizações, baixos salários dos docentes e funcionários, etc. Os campi que foram criados mais recentemente, os chamados “campus experimentais” sofrem de forma muito mais acentuada esses sintomas do sucateamento do ensino superior público. Dessa forma, no ano de 2013, os estudantes disseram BASTA! A greve foi o a última alternativa do movimento estudantil para barrar a precarização. O movimento ganhou tamanha vultuosidade que os demais setores (docentes e servidores) aderiram a esse mecanismo, e assim vivenciamos a primeira greve geral em anos.

Finda as mobilizações do ano passado, as conquistas foram poucas, mas existiram. Porém, nesse ano de 2014, o CRUESP ( conselho de reitores das universidades estaduais de são Paulo), presidido pela reitora da UNESP, demonstrou mais uma vez seu projeto de desmonte da educação pública superior: 0% de aumento para docentes e servidores. Novamente, chegou a hora de lutarmos contra esse modelo privatista e precarizador das nossas universidades. A luta não é somente pelo aumento salarial, mas contra toda essa política de sucateamento.

Nesse sentido, desde o dia 19 de maio, os servidores entraram e greve em diversos campi. E cada vez mais, os três setores da UNESP entram em greve, seguindo o caminho aparentemente inexorável da greve geral.

Na UNICAMP o problema com o número reduzido de vagas para moradia estudantil, ausência de auxílios e bolsas que atendam à demanda dos estudantes comprometem a permanência do corpo discente na universidade. No total, 60% dos trabalhadores aderiram a greve e reivindicam isonomia salarial com a USP, mais vagas em creche para seus filhos, gratuidade no transporte e reajuste mínimo de 10% para funcionários administrativos e docentes. Além disso, funcionários do HC/CAISM, setores do complexo hospitalar na UNICAMP, prometem reduzir suas atividades durante a greve.

Vale lembrar também que foi com muita luta que os trabalhadores la USP, UNESP e UNICAMP alcançaram um patamar salarial competitivo ao mercado de trabalho, o que permitiu acabar com a evasão de professores e funcionáros das três universidades. As propostas e medidas que vem sendo adotadas, com relação a crise, apontam para o sucateamento das três estaduais paulistas.

POR UMA UNIVERSIDADE POPULAR, RUMO AO ENMUP 2014!

Para além dos problemas internos das Universidades, existe ainda aquele que é o principal: a farsa em chamá-las de universidades “públicas”.

Tanto as estaduais paulistas, quanto as demais universidades estaduais e federais do país, possuem um caráter extremamente elitista, conservador e racista. O acesso por vestibular, extremamente meritocrático, garante que somente a parcela privilegiada da população tenha acesso facilmente a elas, enquanto, aos demais, sobra contar com as cotas.

Os processos de reforma, realizados pelo governo PT, em relação ao acesso ao ensino superior, como FIES, PROUNI e REUNI, apenas mantém a lógica de mercado dentro do ensino, ou seja, mantém a universidade a serviço do capital. O resultado disso são, por exemplo, a valorização de alguns cursos sobre outros e, consequentemente, investimentos apenas naqueles que são interessantes aos olhos do capitalismo.

Pedir por 10% do PIB para uma educação nesses moldes torna-se pouco. Precisamos ir além!

Como estudantes e trabalhadores, é nosso dever lutar por um modelo de educação que se amplie para além das possibilidades oferecidas pelo modelo capitalista.

A luta por Universidade Popular se faz extremamente necessária para garantir uma educação que seja emancipadora e atenda, de fato, à população. Devemos nos ater a luta por melhores condições de estudo e trabalho de estudantes, professores e funcionários, pelo acesso universal ao ensino superior, por uma produção científica que esteja a serviço de demandas dos trabalhadores, enfim, em luta pelo caráter verdadeiramente público da educação!