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95 anos da Coluna Prestes: no rastro da Coluna ficava a esperança
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95 anos da Coluna Prestes: no rastro da Coluna ficava a esperança

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95 anos da Coluna Prestes: no rastro da Coluna ficava a esperança

“(…) no rastro da Coluna, ficava a esperança. Um dia ela voltará para sempre e com ela a liberdade. E com ela a justiça e o amor e a alegria.”
Jorge Amado

Noventa e cinco anos atrás, em 1925, encontravam-se no Paraná os remanescentes de dois levantes militares: de São Paulo e do Rio Grande do Sul. Em São Paulo guarnições da Exército e da Força Pública se sublevaram em 1924, tomando o controle da região e tomando a cidade por 23 dias. No Rio Grande do Sul diversas guarnições se levantaram em solidariedade, instigadas à revolta pelo então capitão Luís Carlos Prestes. O objetivo: derrubar o presidente Artur Bernardes e instituir no Brasil uma série de medidas de cunho reformador.
O movimento ficou conhecido como tenentismo graças ao papel da jovem oficialidade do Exército em suas fileiras e encontrou sua culminância na Coluna Prestes, episódio responsável por lançar à política nacional os nomes de suas lideranças, protagonistas da vida do país a partir de então.
São Paulo foi alvo do bombardeio sistemático de bairros operários e populares, buscando aterrorizar a população e diminuir seu apoio aos rebeldes, que foram obrigados a abandonar a cidade e marchar rumo ao Paraná, onde ficaram encurralados. No Rio Grande do Sul as unidades sublevadas se uniram a diversos combatentes civis e suas lideranças locais, os caudilhos que se digladiavam em lutas locais desde muito tempo e agora se uniam aos militares rebelados. Em uma série de combates vitoriosos, os gaúchos rumaram ao encontro dos paulistas encurralados.

Foi em Foz do Iguaçu que, mais que um encontro entre duas colunas, aconteceu uma incorporação dos paulistas à coluna gaúcha. As tropas de São Paulo encontravam-se cansadas, acumulavam derrotas e sua moral estava baixa. Muitos propunham abandonar a luta e atravessar a fronteira, deixando para trás o Brasil de Artur Bernardes. Já as tropas gaúchas vinham de uma série de vitórias, tinham o aspecto moral em alta e propunham uma marcha Brasil adentro que atraísse as tropas federais, possibilitando a tomada da capital e do poder.

Apesar de um movimento eminentemente militar, a Coluna foi o episódio tenentista que mais encarnou características populares. A maioria de seus combatentes eram homens pobres do campo, analfabetos e sem contato com a política nacional. Os anos da Coluna foram formadores para todos, desde os soldados até seus comandantes. À medida em que marchavam Brasil adentro e tinham contato com a pobreza extrema que a população estava submetida, as injustiças do regime político, as desigualdades na divisão das terras e a opressão do povo do campo, os revolucionários começaram a entender que a simples substituição do presidente não seria suficiente para resolver os problemas do país. A Coluna percorreu 13 estados brasileiros totalizando 25 mil quilômetros. Derrotou 18 generais naquela que foi a maior marcha militar da história humana. Até hoje o Exército brasileiro custa a admitir a derrota sofrida e a Coluna Prestes segue escanteada pela história oficial.

Anos mais tarde Prestes repetiria diversas vezes que a experiência daqueles anos foi essencial para abrir seus olhos aos problemas do povo brasileiro, mas apenas quando tornou-se comunista ele pôde conceber uma alternativa real. Daqueles que lideraram a Coluna apenas Prestes escolheria o caminho do socialismo. Foi rechaçado pelos seus antigos companheiros, a maioria adepta ao que ficou conhecido como revolução de 30.
Embora seja um erro enxergar no movimento um levante de massas ou insurreição, ele indiscutivelmente representou importante momento de nossa história, levantando questões até então quase que inteiramente ignoradas, como a situação das populações do interior e a dominação dos grandes latifundiários. É tarefa dos comunistas, como uma vez disse Mao Tsé-Tung, “o estudo do nosso patrimônio histórico, fazendo-se o respetivo balanço com olhos críticos, segundo o método marxista. […] Como marxistas, os comunistas são internacionalistas, mas só quando ligam o Marxismo aos traços específicos do país, e lhe dão uma forma nacional, é que podem aplicá-lo na vida”. Façamos nosso dever.

Euclides Vasconcelos, militante da União da Juventude Comunista (UJC) e do Partido Comunista Brasileiro (PCB) de Pernambuco (PE).